domingo, 10 de outubro de 2010

''E o chão se abre por dois sorrisos


(...) E a vista que os meus olhos querem ter.''




Para os que não conhecem o Samba Triste: http://www.youtube.com/watch?v=krODHfOkdJ0


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

E quando menos se espera a gente enlouquece

Não havia mais tempo a ser perdido quando sentou na cadeira de plástico em frente à tela e repousou a mão no teclado.

Um cérebro em reforma

Todos os pensamentos já haviam rondado a sua cabeça, tinham pego martelos e marretas para construir a tal obra. Há alguns dias virtuais eles planejaram construir algo único, a primeira obra que deveria conter toda a essência humana para se manter durante a virtual eternidade. Bateram, quebraram, colaram, pintaram.

A cabeça já não aguentava mais quando de repente os pensamentos se deram por satisfeitos. A obra estava com uma cor sólida, única e sem degradê. Simples, sem ondulações, como uma folha de papel sem fim no primeiro instante em que se acha livre no ar.

Na tal obra não havia nada.

Indescritivelmente única.

Singular.

Plural.

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Engraçado, eu preciso aprender a pensar... Aprendi a arrumar as palavras, o guarda-roupa, lista de compras, livros, mas não sei arrumar os pensamentos. São explosões em cadeia que eu não consigo segurar.

Buuuuuuuuuuuuuuuuum !

E quando menos se espera a gente enlouquece. Gradativamente enlouquece.

Voltei para casa pensando em escrever sobre as pessoas, a consciência que não conseguimos formar de um dia para o outro, a importância de atitudes mínimas, necessidade de ruminação das informações, essa noção de vida bem vivida que se enraizou na mente humana, e principalmente sobre o abstrato que para mim consegue ser concreto. Não sei o que fiz, mas estou pra achar um adubo mental tal qual o meu, mente fértil, a Deus dará.

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Quando falo tempo virtual me refiro a algo intangível que medimos com a ajuda de um objeto chamado relógio, ou atualmente, celular sem crédito. Acredito que o tempo seja a coisa (não consigo pensar em uma palavra melhor) mais abstrata, surreal e virtual na qual mergulhamos de cabeça. Não se vive sem contar as horas, os dias, etc., por n motivos imaginários e existentes que nos forçam a conviver com algo virtual de forma concreta, como se o segundo que acabou de passar de alguma forma fosse tangível. Oh, não! Ele não pode passar tão rápido!, dito isto me apetece lembrar do dia em que deitei por dez minutos e me pareceu uma hora, dormi uma noite inteira e quando acordei achei que só havia passado uns poucos minutos. É culpa do cansaço, corre-corre, rotina, esse clima que muda todo dia, espaço que nunca tem ... e tempo.

Tempo é a situação virtual mais corriqueira a que podemos nos submeter. A noção de tempo é virtual, imaginária, abstrata, íntima.

Talvez alguém venha me dizer que ando pensando besteiras, há um cálculo antigo que mostra a ação e reação das situações, mas não importa. Talvez outro dia, quem sabe... mas hoje (nesse hoje virtual, imaginário e abstrato) eu quero ficar esperando o depois chegar.


Não há como se libertar. Eu sei e não quero saber.

Dedos molhados


E esse frio que me dá vontade de chorar... choro regado a risos, frio no dia de calor.


Se eu olhar para trás não verei muita coisa, a memória é um redemoinho que espalha, mistura e aprisiona. Mas, se eu pudesse, relembraria cada dia vivido só pra ver tudo diferente, pensar os dias que se foram com o olhar de hoje. Dessa vez não esconderia embaixo da cama o que aparecesse (a tal eu que sempre aparece), também não me aceitaria por completo – sem necessidade de demagogia ao extremo.

Corro de mim mesma e me encontro antes de virar a esquina. Olho no espelho e converso com a moça do reflexo... me encontro nela, mesmo ela nem sabendo quem sou.


Os dedos molhados que encostaram no meu braço, por alguns instantes, atraem meus sentidos e me vejo saindo do mundo que habito [...] num simples encostar volto à realidade. Me irrita sentir a presença da mão que se foi depois de tantos segundos passados, quanto mais atenção dou mais me distancio do intangível, mundo que habito.

sábado, 2 de outubro de 2010

Strawberry Swing



A felicidade é um objetivo eterno, uma meta que toda vez que alcançamos se esfarela como o pão torrado do café - gostoso e quentinho, deixando sempre a vontade de mais um pouco.
Outro pedaço. Outro sorriso.



Comparações excêntricas fazem parte... Nelas mora o perigo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Para o céu é que eu gosto de olhar...

Eu gosto da imensidão, esse infinito acima das nossas cabeças. Mas são as pequenas coisas que me atiçam um frio na barriga.




quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Uma estrela de seis pontas.

Há alguns meses me deparei por aí com um colar feito por um índio.
Uma estrela de seis pontas serve de pingente. Me atraiu.
Recentemente soube seu significado.

Hoje, por motivos aleatórios, abri um livro...
Página 817, coluna da esquerda.

''Geração vai, geração vem, e a terra permanece sempre a mesma. O sol se levanta, o sol se põe, voltando depressa para o lugar de onde novamente se levantará. O vento sopra para o sul, depois gira para o norte e, girando e girando, vai dando as suas voltas. Todos os rios correm para o mar, e o mar nunca transborda; embora cheguem ao fim do percurso, os rios sempre continuam a correr. Toda explicação fica pela metade, pois o homem não consegue terminá-la. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. O que aconteceu, de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do sol não há nenhuma novidade. Às vezes, ouvimos dizer: "Veja: esta é uma coisa nova!" Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós. Ninguém se lembra dos antigos, e aqueles que existem não serão lembrados pelos que virão depois deles."


Engraçado... se eu não tivesse lido em um livro tão antigo diria que conheço quem escreveu. Pior, diria que saiu da minha cabeça.

Girando girando sem sair do lugar,
HBMS.

Entre quatro paredes.

A Via Láctea

Composição: Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...

Mas não me diga isso...

Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...

Mas não me diga isso...

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...

Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim...

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim...

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho...

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou...

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

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Não sei quantas vezes eu já disse que não sei,
Não sei quantas vezes eu já ouvi A Via Láctea,
Não sei quantas vezes na minha vida eu me senti tão solta no espaço como nesses dias,
Não sei o que pensar enquanto penso em tantas coisas,
Não sei com quem posso falar sobre o que penso,
Não sei se consigo falar sobre o que penso,
Eu quero... Eu não quero... Eu não quero querer.
Meus olhos se fecham e eu olho para mim, vejo a escuridão e aperto mais ainda.
Eu sei... Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei.
Eu entendo... Eu não entendo. Eu não quero entender.

E esse céu sempre nublado me atiça, sem as estrelas eu não me acalmo, não sei pra onde olhar. Isso não passa, uma semana de céu nublado, pensamentos nublados, atitudes...
Atualizei a página, e sei que espero algo que não chegará.

É estranho, mas eu sei como você é... Sei o que você quis me dizer... E finalmente, eu entendo. Puta merda, eu entendo e me acho nos seus pensamentos [...] Loucos, alheios de tudo e do mundo, tortos, iludidos, pensamentos.


Não me dê atenção.

Sempre louca,
Helena Matos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Indo além... e mais um pouco.

As coisas acontecem de forma gradativa. Ninguém muda de uma noite para outra. Da manhã ao meio dia, do luar ao nascer do sol, transitando entre o início e o fim... Acontece de forma gradativa, não há como fugir.


Fiquei fora por muito tempo, tanto do blog quanto do meu mundo. Criei outros mundos, vivi o de outras pessoas e agora que voltei a minha mente não é mais a mesma... A minha alegria é diferente, o meu riso se fez diferente e se desfez, retorna em olhos alagados pela chuva.

Posso dizer que vi os sorrisos mais lindos, as crianças mais lindas, os lugares mais bonitos – tristes e bonitos. Por que a beleza surgia da tristeza, da dor, dos olhos cansados, do corpo vendido, da vida vendida. Uma beleza mais que excêntrica. Singular e plural, peculiar.

Pelos lugares onde andei talvez eu nunca mais passe novamente, mas com certeza me sinto pisada pelo lugar. Marcada com uma tatuagem que eu não quero apagar.

Tudo acontece de forma gradativa, não há como fugir.

Confiar em alguém é ter a certeza da desilusão, ela sempre vem, chega aos poucos, pelos cantos, sussurrando, devagar, ela vem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Lembrete: coisas pra contar à secretária eletrônica

Tomei um susto olhando para o chão, achei que minha sombra não era minha. De quem seria? Parei e fiquei na espreita de um movimento em falso, mas não aconteceu nada. Sai correndo pela escada, mas ela veio atrás de mim, Ah, danada! Próxima vez eu me escondo no poste pra você ver que não é bom assustar os outros.

Correr pela ladeira ouvindo I’ve just seen a face, com certeza, não é pra qualquer um.



Em época de eleição me sinto num tiroteio, tudo bem que pra um tiroteio fictício e um de verdade a diferença é só o horário. Horário político todo mundo sabe que passa antes da novela, mas pelas ruas o tiro corre solto a qualquer hora.


Sentei, deitei, dormi. É... eu sei que muita gente está querendo fazer exatamente isso agora.

É que hoje eu não queria falar de amor, aquelas lambanças toda sobre pessoas enamoradas, também não queria falar da tristeza, já basta ter que ligar a TV ou ouvir o vizinho cantando o último sucesso do pagodão, talvez sobre o horário político, mas eu também não queria te enrolar e ficar remoendo algo que todo mundo sabe que entra por um ouvido e escorrega pelo outro... Quem sabe criava uma historia olhando as estrelas, mas hoje não, meus pensamentos se voltariam ao passado lembrando o imperfeito, pretérito imperfeito.

Ps.: Acho lambança uma palavra engraçada que me deixa com vontade de tomar sorvete e comer chocolate.


Eu gosto de música e daqui da pra ouvir um som gostoso vindo lá de fora. Abri a janela e pararam de tocar.


sábado, 7 de agosto de 2010

Me aguardem... muahaha

Faz tempo que eu não passo aqui... Tenho até vontade, mas por enquanto há mais um monte de coisas na frente e esperando serem feitas.


O Loucura está fechado para balanço até o final desse mês de agosto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ganbatte!

Bem, quem me conhece sabe que de tempos em tempos eu acabo criando uma história nova, mas atualmente apesar de ter as ideias, sonhos e visões do futuro (pressão psicológica x) ainda não tive algo essencial para arrumar as palavras no papel, atualmente chamado Word, falta-me tempo!
Gente, mas falta tempo pra tudo! Pra estudar, pra limpar a casa, pra me coçar! Aaah, pra limpar a casa... quando não é tempo é vontade.



Pois não deixem o locura só porque não tem nada de muito bom por aqui.hihihi. Eu tenho medo do escuro se não tiver uma parede atrás de mim u-u então, não me deixem só. (O que isso tem haver nem eu sei...) Tem um texto guardado, mas ele é mais um suspiro do que outra coisa. Atualmente venho suspirando com frequencia... talvez seja o retorno da falta de ar.



Lembrete
Minhas ideias se enveredam para:
1) Novas formas de relações interpessoais
2) Barro, pedra e romaria.
3) Música, filmes e afins
4) Senta que lá vem história


.......

Mas enquanto o tempo não chega eu vou vivendo de Ganbatte !

Go go go Lelena-chan!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

la la laaa laa laaa \o/

Menina, amanhã de manhã quando a gente acordar quero lhe dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens, vai desabar sobre os homens, vai desabar sobre os homens...



Pra quem quiser ouvir ... :)


domingo, 11 de julho de 2010

Perto do fogo, meu amor.

Quando eu olho pra mim na foto da parede tento imaginar o que eu diria se quando pequena visse a Helena de agora.
Talvez eu desse risada... Provavelmente guardaria a foto embaixo da cama, porque é lá que nossos monstros se escondem.


Desejar é como nadar contra a correnteza, quanto menos se tem mais se quer.

Quem me conhece vai achar que ando louca (pouca novidade até aqui x) mas eu sempre tive dificuldade pra falar... falar da vida, conversar besteira, mas principalmente pra expressar meus pensamentos. Contar as coisas que eu imagino chega a ser penoso. Não há combinação de palavras que me agrade e quanto mais eu falo mais distante e diferente do pensamento fica.

Uns dias atrás eu escrevi contando que sempre pedi sabedoria, como se fosse algo que viesse em caixas. Ontem - será que foi ontem mesmo? - enquanto conversava me disseram algo intrigante, “Você lê como se fosse o último dia da sua vida, estuda como se quisesse absorver tudo de uma vez, já pensou se um dia você simplesmente esquece de tudo? Se um dia nem seu nome você conseguir lembrar?”
Aquilo doeu. Não foi a primeira vez que palavras me acertaram com violência, mas foi uma dor tamanha que sai pra beber água e não chorar.
O choro ficou guardado em um dos meus potes de sentimento, era para ter jogado fora, mas acabei guardando em baixo do travesseiro.

Na vida o tempo passa e a gente não sente.
Quando criança eu gostava de tirar fotos e fazia mil e uma performances, as pessoas riam e eu achava elas idiotas por não me entenderem. Continuo achando as pessoas idiotas.
Por que não ser louco? As pessoas nem sabem o que é ser louco.
Por que deixar de ser você mesmo por causa do vizinho que não é ele mesmo por medo?
É tempo de esquecer o que os outros pensam de você. E daí que me achem louca? Eu sou eu, e licuri é o diabo.




Meus pensamentos são a parte mais viva de mim.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Senta que lá vem história... (Parte 1)

Uma das minhas favoritas :)
(vista da 'varanda' do Santuário do Bom Jesus da Lapa para a ponte do Rio São Francisco)

^^


Torre


Tree Hugger'


^^ [2]


Rio São Francisco

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem me dá um pacote de chuvinha?


Todo ano é a mesma coisa... mas de certa forma a gente gosta dessas repetições, seja pra reclamar ou pra curtir lol

Bom São João, pessoal !
*e cuidado com a lente, pra quem é da lente XD*

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu vejo mil cores na escuridão.

Quando a falta de sentido reina eu me sinto em casa e de pijama.
Andei relendo umas coisas que escrevi há tempos e vi o quão louco são aqueles que me entendem (supostamente), pois, metade dos pensamentos eu vejo no papel e quando procuro pela outra metade observo que se foram nos corredores da mente.


E ela louca pela rua foi questionada o porquê de deixar tudo para trás, sua vida, sua casa, seu mundo. Disse apenas, Não deixei de viver, retrucaram, Pois então vá para casa, ela suspirou e pensou, O meu mundo é poesia para quem assim quiser o ver.


É tão difícil ser jovem. Se preocupar com a aparência e com as futilidades fingindo aprender a vida nos livros, quando na verdade espera pela experiência.
Andar pelas ruas à espera de um acontecimento que o transforme em um ser inigualável, acreditar em absurdos... na juventude há vontade de abraçar o mundo.
Escolher. Escolher o quê? Quem disse que é necessário escolher?

Na volta para casa passei por um garoto sentado na cadeira, olhar compenetrado, roupa de academia e um cabelinho que eu diria engomado. Não era a primeira vez que o via naquela ‘performance’.
Cumprimentei. Com voz de mil preocupações ele me respondeu, Boa tarde.
Fiquei com vontade de olhar nos seus olhos e perguntar se o que lhe afligia eram os quilos a mais do final de semana ou a possível namorada que não havia ligado ou quem sabe são as notas em ritmo descendente.
Enquanto descia as escadas imaginei... até o momento em que a situação se desfez num balde de juventude.
Pensei então que o problema estava em ser jovem e nas idiossincrasias que isso arrebata. Viver constantemente no pelourinho e apanhar com as experiências, as idéias, as motivações.

É difícil ser jovem e não ter nada ao mesmo tempo em que se é dono do mundo.


Talvez, suas preocupações fossem sérias, mas os meus olhos só captaram alguns detalhes...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Chuvisco e visco, sem esitar.

Um corpo meio cinza, dois chifres amarelos e pés desproporcionais ao tamanho do corpo. Seus olhos esbugalhados nada viam, seu nariz não sentia mais o cheiro, só reconhecia a maresia. Dentro de si parecia não haver mais nada, apenas sua boca vermelha guardava seus dois dentes afiados.
Não sabia falar direito, andava a custo e não tinha braços.Sua vida desde que nascera havia sido sentar na sua caneca preta e navegar pelos mares. Quando fazia frio queimava o tempo, exalando uma grande fumaça que lembrava chocolate quente.
O vento decidia a direção a tomar e por muitas vezes andava em círculos pelo mundão das águas.
Seus chifres de nada serviam a não ser para assustar as pessoas.

Há muito tempo, chamaram-no de Golden, por causa de seus chifres e pés amarelos. Foi crescendo e mais assustador parecia ficar. Quando aprendeu a andar foi deixado em uma cabana perto do mar.
Um dia uma caneca grande e preta apareceu entre as ondas, estava vazia.
O rosto triste das pessoas na sua presença fez com que desejasse nada mais ser... Por isso decidiu ir embora e aos poucos foi se esquecendo do mundo, vivendo de céu, mar e solidão.


Enquanto a caneca se embolava na areia, ouviu o riso de algumas pessoas, o choro de uma criança e pelos sons deveria ter uma festa ali perto. A caneca virava com as ondas e ele se segurava com os dentes. Sentia um grande frio por dentro ao ouvir aquela alegria.
Sua caneca ficou presa entre as pedras e durante toda a noite sentiu frio e medo.
Dos seus olhos vazios e sem vida saíram lagrimas, e pela primeira vez quis ter braços. Queria sentir como seria um abraço, ainda que fosse um abraço dele e ele mesmo. Do seu corpo vazio veio a tristeza.
O vento, cruel, empurrou a caneca para longe das pedras. O som das pessoas foi ficando longe e cada vez mais ele voltava a sua solidão.
Na imensidão das águas não sabia se sentia cheiro de sal de lágrima ou sal de mar.

domingo, 6 de junho de 2010

Um pirulito para cada coisa louca que você pensar depois de ler ...

Já tive tantas idéias... devo ter inventado uma montanha de histórias, mas só me lembro de uma por enquanto. E... não sei, fiquei com vontade de contar.

Andando pela rua larga e deserta, o menino sentiu o ventinho gostoso alisando seu rosto. Na direção do mar, ao longe, se via uma nuvem de pássaros gritando e voando, por trás uma matilha de vira-latas se engalfinhava e corria.
Era o dia da escolha.
Os cachorros de repente correram em sua direção puxando suas pernas, os pássaros deram vôos rasantes e seguraram seus braços.

O menino no meio não sabia o que fazer... se deixasse arrancar as pernas seria livre para voar, mas se levassem seus braços poderia continuar andando. Uma disputa louca e disparatada havia iniciado, mas ele poderia dar um fim escolhendo entre céu e terra.
Depois de muito se esticar decidiu.
Os cachorros levaram suas pernas e seus braços se transformaram em asas. Voou alegre sobre o mar por muito tempo, até que ficou com fome. Observou os outros pássaros e resolveu comer como eles. Pegou altitude e desceu velozmente de encontro ao mar, capturaria um peixe para matar a fome. Entretanto, o impulso havia sido tanto que quando mergulhou não teve forças para subir. Molhou as penas, se afogou e morreu.
Os pássaros ficaram tristes e acharam que havia sido um erro ele ter escolhido ganhar asas. Talvez tenha sido um erro mesmo, já que ele não aprendeu a sobreviver com elas.
Ganhara asas, mas não havia deixado de ser menino.

Mais um

Sobre a loucura de ser humano.

Quando eu era menina e sentava nos degraus da escada, me debruçava nas grades que me separavam da rua. Passava horas naquela posição – isso quando não tinha ninguém pra brincar – e observava o movimento das pessoas.
Tinha um menino, mais velho que eu, meio cego, meio magrela, meio descalço. Lembro dele lá no portão ou passando pela ladeira.
Um dia ele veio subindo, meio sujo, meio cansado, meio sozinho. Pra mim ele parecia um menino bom.
Por onde teria andado? Por onde será que ele anda?

Várias vezes eu sentei naqueles degraus e pedi sabedoria... Hoje eu não sei mais dizer o que sabedoria significava para mim naquela época, mas, agora, sentada em outros degraus, eu continuo pedindo.
Se eu recebesse toda a sabedoria que peço em caixas, ao longo de tantos anos, já teria abarrotado os cômodos da casa e com sabedoria pediria um pouco de ignorância.
Só na escuridão se é capaz de ver a luz, isto é, em um dia claro de sol um poste aceso não muda nada, só notamos sua presença no breu da madrugada.




Obs.: O Loucura Contagiosa completou dois anos no mês passado. Não cheguei a comentar, até porque esqueci... Entretanto, marcianos mandaram uma mensagem subliminar.

Minha felicidade começa no sorriso e se estende nas palavras.



A todos que me aturam e gostam do loucura, obrigada!
B'jos e Q'jos ;)

terça-feira, 1 de junho de 2010

No dia você sentirá...


Estou arrumando as malas, mas talvez eu não leve nada.

Vou precisar correr bem rápido que é pra ouvir o vento melhor, somente ele sabe a direção que devo tomar.


O meu eu que só aparece de vez em nunca está chegando.