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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nesses momentos eu paro e penso o quanto sou estranha...

Ouvi dois comentários que me deixaram perplexa. Não tinham nenhuma relação sobre a economia mundial, lançamento de satélite, nem mesmo era sobre o pensamento de Platão.

Um comentário foi feito pela minha tia durante o são João do ano passado, posso transcrever como se acabasse de ouvir, ela disse: Por que o pão nunca chega quente aqui em casa se o tio é o padeiro?

Achei aquela pergunta incrível, nunca na minha vida eu iria associar aquelas duas situações para mim tão distintas. Por que? Por que, meu Deus? Por que o pão só chegava frio se a padaria era na rua ao lado e o tio era o padeiro?

Nunca consegui imaginar uma boa resposta. Ainda hoje quando penso nessa frase sinto uma perspicácia fora do comum.

Outro dia estava eu assistindo a um programa na televisão e vi uma criança fazendo uma pergunta que me deixou boquiaberta. Durante uma gravação na NASA (sim, levaram uma criança para conhecer a NASA... demorei a acreditar) eles mostraram como funciona o vaso sanitário de uma nave espacial e o seu esquema de espelho e câmera para que a pessoa possa observar em uma TV se está colocando o seu #@ no lugar certo. Naquele momento simples onde a informação era passada e deglutida ela perguntou: Mas se você vai fazer as necessidades aí não vai sujar os espelhos? (a pergunta tinha esse sentido, mas não era bem assim...). Deram uma explicação para ela, mas naquele momento eu pensei como coisas simples nos passam despercebidas. Depois de um tempo nos acostumamos a aceitar as coisas sem refletir ou pelo menos prestar atenção ao que acontece ao redor, assim as coisas ficam mais rotineiras, vivemos tranquilamente e aparentemente deixamos de pensar besteiras (será mesmo?), mas para mim perdemos a oportunidade de ter ‘sacadas’ simples do cotidiano que quem sabe poderiam mudar nossa vida ou ao menos deixa-la mais divertida.




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Boas vibrações

Foto: bdpommier


"Tudo o que você precisa é de boa música"

Pois, antes dela, nada produz tamanho deleite, nada se adéqua tão bem aos mais diversos momentos e estados de espírito, nada encanta mais e dá beleza a um dia permitindo que os sonhos prossigam, manhã afora, depois de já se ter acordado.

Raísa Coelho
(1.1)


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Essa tempestade

"Essa tempestade da qual nós somos feitos, que circula dentro de nós, no nosso sangue constituído de índios, europeus e africanos. Essa impetuosidade cruel que a colonização deixou nos nossos pequenos gestos do cotidiano, como naquele chamar o homem ou a mulher que nos serve um café. Essa alegria contagiante que adoça nossas dores materiais. Essa coragem debochada nos ardores sensuais. Esse fazer do trabalho apenas um parêntese na importância da vida, porque sonhar é melhor. Esse povo que somos nós, esse povo brasileiro que faz essa tempestade no mundo."

Claudio Bernardo
Coreógrafo



''A antiguidade é coisa nova
Nós somos uma contemporaneidade dos milênios.''
Saint-Beuve



sábado, 20 de agosto de 2011

Nem tudo precisa ser o que parece.

Diante da morte, enquanto procuramos o refúgio em Deus nos deparamos com o desejo de conhecer a sua origem e o motivo que tantas vezes o levaria a agir de modo a dilacerar-nos o coração. Uma busca insensata, mas não vã, na qual encontramos esse ser magnífico em um limiar entre a graça e a natureza, o inimaginável e o mundo ao nosso redor.

Uma luta eterna de sentimentos nos apresenta a grandiosidade do universo, a loucura eterna do cosmo, frente a isso caberia apenas nos resignar a pequenez de ser humano exposto apenas ao desenrolar do destino que a divindade nos provém.

A vida é amarga para os que sofrem e não sara feridas para os que nunca esquecem a surra...


Viver é um ato de esquizofrenia.

Restaria aceitar ou não acreditar nessa loucura.


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Pensamentos aleatórios que tive após assistir A árvore da vida, filme que por sinal merece um brinde de chá de orégano.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Se quiser falar de amor...

Por favor, pague uma consulta no psicólogo.







(Ia ter um texto aqui, mas acabei esquecendo no forno.)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um pensamento sobre a vida dos outros...

(...)

Eu sou a minha melhor companhia em qualquer situação e até hoje não conheci uma pessoa que pudesse substituir a minha presença.

(...)









(...)



Obs 1.: Não se deve falar da vida dos outros.
Obs 2.: Nunca se deve esquecer a obs 1.





sexta-feira, 1 de abril de 2011

Casos...

A gente cresce, estuda, trabalha, se enche de problemas, contas e necessidades não tão necessárias assim... Mas algo nunca muda totalmente, como aquela sensação de impotência frente a alguns sentimentos.


A vida vai passando, nós vamos aprendendo a controlar uns e outros, mas sempre tem aquele que não aguenta a hora de se revelar.


Nós sempre temos problemas que estressam e acabam com os miolos, mas os sentimentais são os piores. Mexe com o corpo e a alma.


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Aquele dia foi um dia de merda, oh grande merda! Nem bem terminou de pensar isso e o telefone tocou, olhou, era ele... Não atendeu, estava sem vontade de atender ao telefone. Passaram-se alguns minutos e decidiu retornar, afinal de contas o que será que ele iria querer àquela hora?! Apertou o botão e desligou antes de completar a chamada. Tsc, uma hora dessa eu não vou retornar. Mas queria falar com ele... Brigar, chamar de sem vergonha e ouvir a sua voz. Ficou deitada pensando sobre o canalha safado. Tanta coisa pra fazer no dia seguinte e estava ali pensando sem conseguir dormir. Lembrava do motivo da briga, dos gritos, das palavras... das palavras...


Mandou tudo para o inferno e retornou a ligação uma hora depois. Ele não atendeu. Tinha ido dormir, aquele safado.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Inclassificáveis

Naquele dia, como em vários outros dias, chegou em casa exausto. Coração palpitando pelo estresse do trânsito. As pernas pesadas e a velha sensação de que não aguentaria nem comer, cairia na cama e só.
Jogou o saco de pão no sofá, a roupa no chão do banheiro, esqueceu a toalha no varal, mas mesmo assim entrou no banho. O telefone tocou, Ah! Isso lá é hora de telefone tocar!, fez que não ouviu e continuou em baixo do chuveiro. Pensou numa música, mas não havia ânimo para cantar...só pensou... pensou na água que molhava o seu corpo castigado das horas de trabalho, o valor da conta no fim do mês e fechou o registro.
Saiu nu e molhado do banheiro. Correu para o quarto com medo de que alguém o visse pela janela, com certeza não seria uma das melhores cenas. Acendeu a luz e quando viu a cama deitou sem pestanejar. Um instante ilusório acompanhou-o, o baque na cama, como aqueles que temos quando pulamos no mar, a sensação de dor e logo depois quando quebramos a tensão superficial da água e suas ondas se propagam o corpo afunda e sente a delícia do mar, os próximos instantes são de tensão onde vez ou outra esquecemos de prender a respiração e precisamos voltar a superfície. O impulso, depois o longo suspiro e por último a sensação de que a água está ótima. O corpo relaxa e tenta não ser levado pela corrente. Mas o frescor e a sensação de bala de hortelã com água gelada são impagáveis.

Quando acordou era madrugada e a lua estava do outro lado da janela, longe e pálida. Olhou para ela, a luz clareava o cômodo... Não dormiu mais.

Naquele dia como há muito não fazia esperou o sol raiar enquanto admirava as outras estrelas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Entre quatro paredes.

A Via Láctea

Composição: Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...

Mas não me diga isso...

Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...

Mas não me diga isso...

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...

Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim...

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim...

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho...

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou...

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

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Não sei quantas vezes eu já disse que não sei,
Não sei quantas vezes eu já ouvi A Via Láctea,
Não sei quantas vezes na minha vida eu me senti tão solta no espaço como nesses dias,
Não sei o que pensar enquanto penso em tantas coisas,
Não sei com quem posso falar sobre o que penso,
Não sei se consigo falar sobre o que penso,
Eu quero... Eu não quero... Eu não quero querer.
Meus olhos se fecham e eu olho para mim, vejo a escuridão e aperto mais ainda.
Eu sei... Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei.
Eu entendo... Eu não entendo. Eu não quero entender.

E esse céu sempre nublado me atiça, sem as estrelas eu não me acalmo, não sei pra onde olhar. Isso não passa, uma semana de céu nublado, pensamentos nublados, atitudes...
Atualizei a página, e sei que espero algo que não chegará.

É estranho, mas eu sei como você é... Sei o que você quis me dizer... E finalmente, eu entendo. Puta merda, eu entendo e me acho nos seus pensamentos [...] Loucos, alheios de tudo e do mundo, tortos, iludidos, pensamentos.


Não me dê atenção.

Sempre louca,
Helena Matos.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Lembrete: coisas pra contar à secretária eletrônica

Tomei um susto olhando para o chão, achei que minha sombra não era minha. De quem seria? Parei e fiquei na espreita de um movimento em falso, mas não aconteceu nada. Sai correndo pela escada, mas ela veio atrás de mim, Ah, danada! Próxima vez eu me escondo no poste pra você ver que não é bom assustar os outros.

Correr pela ladeira ouvindo I’ve just seen a face, com certeza, não é pra qualquer um.



Em época de eleição me sinto num tiroteio, tudo bem que pra um tiroteio fictício e um de verdade a diferença é só o horário. Horário político todo mundo sabe que passa antes da novela, mas pelas ruas o tiro corre solto a qualquer hora.


Sentei, deitei, dormi. É... eu sei que muita gente está querendo fazer exatamente isso agora.

É que hoje eu não queria falar de amor, aquelas lambanças toda sobre pessoas enamoradas, também não queria falar da tristeza, já basta ter que ligar a TV ou ouvir o vizinho cantando o último sucesso do pagodão, talvez sobre o horário político, mas eu também não queria te enrolar e ficar remoendo algo que todo mundo sabe que entra por um ouvido e escorrega pelo outro... Quem sabe criava uma historia olhando as estrelas, mas hoje não, meus pensamentos se voltariam ao passado lembrando o imperfeito, pretérito imperfeito.

Ps.: Acho lambança uma palavra engraçada que me deixa com vontade de tomar sorvete e comer chocolate.


Eu gosto de música e daqui da pra ouvir um som gostoso vindo lá de fora. Abri a janela e pararam de tocar.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Café com pão e arroz com feijão.

Foto: Vanny Araújo


4º Motivo Da Rosa
(Cecília Meireles)


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.




terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um minuto nem sempre é pouco.


A cada ponto uma interrogação implícita.



Plim plum ploin, catabum!

Não falei nada, mas sei que você entendeu o que eu queria dizer.



Correndo entre as pessoas que se esmagavam entre os camelôs, desvia pra direita, esquerda, direita novamente, esbarrou num braço, numa perna, bateu a boca no poste, a canela no cachorro, uma mulher estabanada arremessou um copo que foi em cheio no olho, o cuspe caiu na mochila, virou a esquerda, esquerda novamente, subiu a ladeira, deixou cair o saco de coisas que se espalharam pela ladeira.

Desceu correndo.

Catou o livro, o lápis, o celular, a agenda ficou entre os pés da velhinha manca, desvia pra direita, o cachorro já ia embora com o chocolate, a carteira um homem muito simpático fez o favor de entregar.

Agradeceu. Sorriram.

As maçãs do rosto avermelharam, uns olhos tão brilhantes se espelhavam nos seus. Colocou-a na sacola e seguiu o caminho subindo a ladeira.

Quando tomou o transporte abriu a carteira e viu que só restava um bilhete da mega sena.

Desceu do ônibus, foi andando para casa.


Soube depois que o transporte capotou, bateu e explodiu.



sábado, 7 de novembro de 2009

Vai ser feliz, vai!


Depois de vários dias de muita chuva o céu parecia dar uma trégua.

Foi de manhã bem cedinho quando isso aconteceu.

As pessoas cansadas de tantos dias em casa esperando a chuva passar abriram as janelas. Fuuuu, um vento frio entrou pelas casas, um cheiro de barro molhado e as plantas arriadas por tanta água.

No céu algumas pessoas viram apontar um balão. Um balão vazio.



Ele abriu a porta e um vento forte o suspendeu do chão.


A vizinha fofoqueira largou o cachorro e correu para a janela.

A menina, o irmão e todos da cidade naquele dia abriram as portas para ver o menino sair do chão e flutuar.


Não demorou muito para sentirem o cheiro de terra molhada e o friozinho subindo pelos pés.












No fim do dia estavam todos com a cabeça nas nuvens.



O balão vazio, na verdade, estava cheio de loucura.



*Os desenhos foram feitos por mim numa noite de lua cheia e mente aberta xD.

Eu, a garota sem sentimentos, chorei por uma planta.