Sorrir sem motivo é realmente libertador.
Se expor a uma nova cultura, pessoas diferentes ou novos lugares não é simples. Se expor a fazer algo pela primeira vez, às críticas e aos olhares de quem faz aquilo há tempos exige ainda mais coragem.
Há alguns anos fiz um curso de uma semana de palhaçaria, um dos cursos mais difíceis que me recordo ter feito na vida. Se expor ao ridículo, errar e vibrar pelo erro, ser o bobo ou aquele para quem as pessoas apontam. Nada disso é simples de fazer. Lembro do meu nome de palhaça - Frondosa!
Frondosa nunca foi ao público, nasceu e vivenciou a passagem de meus entes queridos dessa pra uma melhor (assim espero). Mas ela vive comigo, hoje me fez ir cedo ao parque e sentar no balanço antes das crianças chegarem e tomarem o espaço. Juntas nos balançamos, rimos por rir e sentimos o frio na barriga enquanto o balanço ia e vinha.
Como é bom poder ser bobo às vezes. Rir de si mesmo, rir dos acertos e dos erros. Principalmente dos erros! O Erro é o grande Triunfo do palhaço. É o param pam pam! thacharan tchan tchan! o nhem nhem nhem pelo qual todos esperam.
Hoje eu acordei com reminiscentes de tristeza (como uma tosse seca depois da gripe) depois de alguns dias me sentindo não ser boa o suficiente, esperando por um reforço positivo ou palavras externas que me ajudassem a lembrar que eu sou e dou o meu melhor. Que sentimento infeliz, me assombrando pelo erro.
Só erra quem tenta.
Só aprende quem erra.
Viver o novo é saber que vai errar e ainda assim fazer até acertar. É preciso ter coragem de se arriscar, sem medo dos comentários que possam surgir. Quem, quem, me diga quem, dentre os que apontam, também se jogam como você? Saiba que não há gênio capaz de sem saber a direção fazer o gol enquanto aprende a chutar a bola.
Abrace a sua coragem de fazer tantas coisas pela primeira vez, abrace o triunfo de errar até acertar. O acerto chega, cedo ou tarde, como um alívio de quem senta depois de horas em pé. Mas a emoção, o choro e os risos, a sensação de perseverança e vitória só vem através dos erros.
Frondosa, que saudades! Na próxima vou rir ainda mais.
Com coragem,
Helena