quarta-feira, 23 de maio de 2012

Como já dizia Caetano...




E alí estava ele, um oceano tão infinito quanto os olhos nos deixam imaginar, com suas ondas revoltas batendo uma contra as outras, cada vez mais forte e oscilando com o vento. Sua espuma pairava pela superfície e a cor escura não permitia que se visse o quão profundo era. Mas eu sou louca, e ensandecida na minha loucura mergulhei de cabeça, senti a água gelada e revolta ao meu redor invadindo o meu corpo, congelando minhas entranhas. E comecei a afundar, as ondas cobriam minha cabeça e no turbilhão das águas lembrei que nunca d’antes estive no mar, quem dera saberia nadar naquele infinito desconhecido.
E afundei mais até compreender que o único devaneio que me guiava era a loucura.
Mergulhei de cabeça e me entreguei ao mar. Se eu tivesse mais alma pra dar eu daria.



Dias de chuva



Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana



terça-feira, 22 de maio de 2012

Vi por aí...

"...O tempo passou e o leite cozeu. Mas o tempo não passa, o tempo é estático, o tempo é, nós é que estamos passando pelo tempo, nós nos degastamos no tempo, deu pra compreender?"
Lembranças do Sr. Abel
(Memória e sociedade: lembranças de velho, Ecléa Bosi)

domingo, 13 de maio de 2012

The Beatles

Ever.


The white album


Eu deveria estar estudando ou arrumando meus horários para ir ao oftalmologista ainda essa semana, mas estava assistindo a “I am Sam” e refletindo sobre minha vida.

Até onde podemos ir por amor?
Bem, essa pergunta não vem ao caso, estava pensando no motivo de eu gostar tanto de filmes com estilo drama. Às vezes acabo com o rosto inchado de tanto chorar ou pensativa ao extremo... mas não deixo de gostar do estilo, muito pelo contrário.
Para mim um bom drama precisa ir além dos outros estilos; fazer rir não é simples, empolgar com uma louca corrida por um objetivo também não é, mas para mim fazer lágrimas brotarem vai além. É necessário ter feito rir e empolgar mesmo com o objetivo mais singelo, é preciso carisma e emoção medidos com precisão. Se faz de grande ajuda uma boa trilha sonora e fotografia, daquelas que tocam sem nem mesmo percebermos e que nos invadem sinuosamente, apenas nos damos conta, se é que nos damos conta da presença quase invisível da música quando ela nos é de certa forma conhecida, porque se não a música e a cena se entrelaçam e não mais se separam, fazendo todo sentido estarem juntas.
Um bom drama não precisa arrancar baldes de lágrimas, mas nos passa emoção como se parte de nós houvesse partido junto com a história e compartilhasse uma cumplicidade com os personagens.


Um último comentário.
Me vejo temerosa das coisas que desejo ou mesmo do que desejei quando criança. Temo conhecer mais do futuro do que deveria, ou quem sabe, moldar o futuro exatamente da forma como imaginei que seria.
“Deitada na cama, aos seis ou sete anos, imaginei uma sala... a disposição das cadeiras no ambiente, o quadro, tenho uma vaga lembrança do que acontecia na minha imaginação. Aos vinte anos sinto ter vivido a cena. Quando era criança sentava na escada durante a noite e imaginava falar outras línguas, conversava longas horas no tal idioma que eu inventara. De certa forma fugi dessa ‘loucura’, mas me encontrei novamente com ela de uma forma diferente, dando forma a loucura vivida. Aos vinte e um sinto me tornar aquilo que imaginei. Mas agora me pergunto, o que foi que imaginei mesmo?”
Tenho receio de seguir passos traçados inconscientemente por mim.
Que Deus nos proteja!




Férias =)

Tirei férias dos meus problemas.

Acordei pela madrugada e lembrei do Monólogo de Orfeu (Vinícius de Moraes)... Quem 'guenta'?!

Mulher mais adorada!
Agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços
Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada.
E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem,
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto
Que é que eu sei?
Este sentir-se fraco,
o peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu;
Tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem.
Nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, esse corpo
E me dizes essas coisas
que me dão essa força, esse orgulho de rei.
Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim.
Sem ti, sou nada.
Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!
A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo,
minha amiga mais querida!
Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
Quem poderia pensar que Orfeu,
Orfeu cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres -
que ele, Orfeu,
Ficasse assim rendido aos teus encantos?
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho
que eu vou te seguindo no pensamento
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo.
 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

sábado, 21 de abril de 2012

Francis Cabrel conjugando o verbo Aimer

 
(Francis Cabrel - Je t'aimais, je t'aime, je t'aimerai)

Um pote de mel e açúcar.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Lá vai a vida a rodar...


Quando sou invadida por inúmeros questionamentos e profusões de pensamentos só a concentração de tentar escrever acalma. Pena que não consigo materializar nem em letras ou voz aquilo que habita o meu mundo de ideias.

Será que perdi o que tanta almejei resguardar em mim? A ânsia do ser questionador... sufoquei-a talvez me abastecendo com inúmeras respostas ou com o vazio e guardei-a como um baú antigo dentro de mim. Ao mesmo tempo nutri o desejo pelas pessoas, prazeres e palavras que me distanciavam do que eu já havia escondido.
Foi por isso que fui embora da outra vez? Um sarcasmo na minha mente narra o quanto busco nos outros o que escondi em mim.
Quem diria... não achei saciedade suficiente nos prazeres, não achei perguntas, apenas certezas e as certezas me incomodam. Incomodam assim como as certezas que construí, assim como o que fiz com meu espírito questionador.
Ardo em febre e penso ainda mais. Penso nas respostas... mas que respostas se as perguntas são tão brutas e falhas?
Enquanto isso vou narrando meus pensamentos e atos na terceira pessoa do singular como se eu na verdade estivesse em outro lugar narrando a minha angústia, que na verdade não passa de um ardor da juventude.
Que esse ardor não morra. Amém!