
...Os pensamentos ganham forma, mas na fôrma se deformam...
Jesus havia nascido em um pequeno vilarejo, no dia 21 de dezembro, mas por erro do cartório foi registrado quatro dias depois constando então em sua certidão como dia 25.
Eram tempos difíceis, morava com os pais que viviam em crise contínua por suspeita de falsa paternidade, mas continuava sendo uma boa criança. Passava seus dias contando histórias para os vizinhos que andavam desempregados e ficavam pelas redondezas lavrando o terreno para conseguir alimento ao menos para a família.
Ao acaso, não se sabe ao certo e nem ele mesmo lembrava mais, se perdeu durante uma saída com os pais e após esse dia algo em Jesus havia mudado.
Ele agora ouvia vozes.
Diziam que estava louco, e que não tinha mais solução para o seu caso, mas não era isso o que ele pensava.
Achava agora que era a solução dos problemas de seu povo e que seguindo a voz poderia salvar sua família e os outros da miséria.
Seria ele o messias, repetia a voz que a todo instante insistia em contratá-lo.
Por várias noites sonhava acordado com milagres e a sua dominação de paz no mundo. Surgia em sua mente a visão das pessoas cantando em seu louvor e saldando-o em todos os lugares por onde passasse, andando sobre o mar e doando pão e peixes para os pobres. Não queria esquecer o que deveria fazer assim que aceitasse o contrato e escrevia durante a noite todas as possíveis tarefas a serem realizadas escondendo o caderno sob as ruínas para que não aumentasse mais as más falas dos conhecidos.
Anos se passaram, Jesus cresceu e já adulto não ouvia com tanta freqüência, custava então acreditar na voz, no sonho de criança. Mas enquanto lia seu caderno velho, a chuva e o uivo do vento pararam momentaneamente e ele ouviu vindo da nuca a mesma frase de antes como um vapor quente, mas agora firme e confiante que arrepiou todo seu corpo que de nervoso ficou molhado de suor, tremia de frio. Aceitou.
Um impulso enorme o fez sair de casa. Pelo caminho nublado e umido foi confundido com um bandido e crucificado.
Mas o contrato havia sido selado, ele seria o messias, o braço direito de Deus.