sábado, 14 de março de 2009

Perdidos e achados

Saí cedo, andei por aí, acabei me perdendo.





Um céu sem nuvens e o calor de fritar ovos no asfalto preenchiam o cenário.

O ponto de ônibus estava quase vazio, sentei ao lado de um idoso enquanto esperava o transporte. Pensava em qualquer coisa, acho que é comum pensar na vida em situações como engarrafamento, espera de ônibus, banho, dor de barriga, na verdade penso que a dor de barriga alimenta mais a fé porque é quando oramos bastante. Engraçado que lembro de ter analisado o tal idoso ao meu lado, seu aspecto, a sujeira, não acreditava encontrar aquilo que achei [...] .



Inesperadamente ele se virou para mim e disse “Qual a cor que Deus mais gosta?” na hora tive o impacto, ninguém normalmente pergunta essas coisas para nós, ainda mais quando se está fritando em um ponto de ônibus, tinha em mente a cor branca, mas quando ia responder olhei para o céu – um céu sem nuvens, azul, muito azul; eu estava sofrendo com o calor, mas tenho que admitir que fazia um dia bonito – respondi “azul”, meio óbvio isso, ele riu para mim, riu mesmo, de gargalhar e olhou para o céu também. Fiquei pensando se devia ter dito branco ou verde quem sabe, ele disse apenas “talvez seja azul, a gente sempre fala qualquer coisa pra começar uma conversa” e riu para o homem que estava ao seu lado.

Não demorou muito passou seu ônibus, depois da sua partida o homem falou “meio doido ele, né?!” ah, mas que raiva dele, eu tinha achado tão poético, tão belo aquele comentário simples e impactante para ele me dizer isso, balancei a cabeça pra qualquer lado.



Sempre me espanto com as coisas simples da vida...



Ele havia morrido e era seu aniversário. Ninguém achava que ela iria, enquanto oravam ela chegou, as crianças, seus colegas, gritaram freneticamente e cantaram um parabéns entre abraços e sorrisos. Um nó na minha garganta me fez cantar um parabéns abafado para não chorar.



A melhor alegria é a das crianças.




Quando me encontrei já era hora de voltar.

5 comentários:

Debby disse...

*-*~

[*]isso me fez lembrar de um episódio q aconteceu com meu irmão xP

Camila Lispector disse...

pois é...eu quando comecei a ler fui advinhando o enredo...mas quando tudo indicava q seria um fim previsível vc chegou arrombou as portas da minha emoção e encerrou o texto com acaso e fatalidade...não esperava o fim...
tô aqui feito uma boba com olhos cheios d'gua *_*

mui lindo, profundo, sincero e raro...nem todos conseguem iniciar um diálogo com a sutileza e a simplicidade de uma pergunta que envolve uma figura tão poética como Deus...E o céu é azul, assim como é o tom da alma que envolve o ser de tamanha infinitude...saudade de algo q não vivi, nostalgia por aquilo nem ao menos sei...em suma, vc conseguiu transpor seus sentimentos e fui levada a crer que eram meus pela forma que emaranhou os meus sentidos...

Vc me completa!!!

HBMS disse...

aiiiiiii caramba !
fiquei até sem palavras depois dessa *em estado de choque*

eu que pensei que as palavras não chegariam a lugar algum....

''E o céu é azul, assim como é o tom da alma que envolve o ser de tamanha infinitude''
foi um dia desses que eu olhei nos olhos de um alguém e pensei de que cor seria a sua alma o.o

sério mesmo.. o-o

Arinalva disse...

:)amei
muito legal msm

Robert Silveira disse...

Small Talks!


São divertidas e inusitadas mas inusitadas do que divertidas...


Mas simpatizei com o senhor "cor de deus"


=D