domingo, 28 de junho de 2009

Fuuuu ! - é assim que o vento faz.

Um tsuru passou voando, anunciava a boa nova de que a sorte está por vir.


Rua vazia, até porque já passou das dez e aqui só continua do lado de fora os bêbados, vagabundos, sem tetos e eu.
O sereno cai parecendo um chuvisco e a calmaria é tão grande que chega a assustar. Odeio ser pessimista, mas uma guria andando sozinha à noite é alvo fácil demais, tão fácil que se eu fosse o ladrão já teria caído por cima, sem arma nem nada.
Um baque leve por trás de mim me dá um arrepio e aumento o tamanho dos passos, queria tanto um retrovisor meu deus!, passei por um carro parado e aproveitei pra olhar o que vinha por trás.
Não vi nada. Virei o corpo pra confirmar. Não gritei. Não chorei. Não corri. Oh, raiva por não ter corrido! Me apoiei na parede e coloquei a mão na cintura, estilo vou rodar a baiana, não sei se ajudou muito, mas ele recuou. Puxou as rédeas e o cavalo recuou de novo. Seu manto reluzente e a sua lança de guerra me amedrontavam, olhei a sua face e aquele semblante calmo e protetor me desarmou, segui para casa.
Eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.
Salve Jorge! Salve Jorge!
Para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

2 comentários:

Everaldo Ygor disse...

Olá, surreal crônica - uma verdadeira prece para a proteção dos dias... Descrições afiadas, é assim que o vento faz...
Abraços
Everaldo Ygor

Debby disse...

=]