Quando eu acordei minha mente estava limpa, sem aquele excesso de pensamentos e preocupações, o maxilar relaxado, e debaixo da coberta or ar quentinho me envolvia.
Levantei ainda com o corpo cansado, mas a mente afiada. Depois de muito tempo, não consigo nem contabilizar quanto, consegui ler um texto concentrada - claro que pequenos desvios aqui e ali - mas alerta às palavras, compreendendo com o mínimo de esforço. Aos poucos fui percebendo uma mudança sutil ocorrendo, como se aos poucos o meu cérebro estivesse relaxando, tranquilo, sem se ocupar em pensar como será a próxima hora.
Onde você mora? Qual a qualidade de onde você mora? Quão confortável é esse lugar?
Não estou aqui a falar de mansões, mas seu lugar te proporciona conforto térmico e físico? Você se sente segura/o?
Quanto você gasta por mês com contas essenciais? Sobra um pouco para o lazer ou uma emergência?
Você precisa escolher entre um pão de qualidade ou a passagem do transporte?
De novo, não é sobre estar no 1% mais rico, mas sobre dignidade.
A água que você bebe é filtrada?
Me lembro de quando comprei um filtro de água, faz alguns meses, a sensação interna de dignidade foi tão intensa que eu nunca imaginei que sentiria isso com uma vasilha com um filtro de carvão dentro. Mas são esses detalhes do dia a dia que moldam nosso nível de estresse, o excesso de preocupações e a qualidade da nossa vida.
Poder chegar em casa, acender as luzes para espantar a escuridão e sentir o aquecimento ligado sem ter que enfrentar a angústia da invasão do frio pela janela e paredes, que ultrapassa as camadas da cama e invade o corpo. Só em saber que tudo será provido e nada lhe faltará faz muita diferença.
O luxo de ter o básico!
Seria um luxo ter dignidade? Não deveria, mas infelizmente, na sociedade que vivemos parece que ainda é para muitos de nós.
O luxo de morar em segurança,
ter o necessário para viver,
pagar as contas sem entrar no vermelho,
ter um hobbie,
poder escolher,
ter tempo,
sentir a mente relaxar tranquila
ao saber que está tudo bem.
O pão em cima da pia lembrando a fartura onde a comida nunca falta.
De repente eu entendi o quão maléfico pode ser para a mente não ter o básico ou estar sempre na corda bamba entre ter e não ter. O quanto de estresse nosso corpo acumula ao sempre se preparar para o pior. E como faz bem ter dignidade! O mínimo, o essencial, o necessário, o básico garantido, e o mundo fica até mais colorido.
Que tenhamos todos o luxo da dignidade!
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