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terça-feira, 24 de maio de 2016
Tarô (copiei e colei aqui para me lembrar depois)
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Fatos reais de uma vida de ilusões
A primeira
vez que te vi nem reparei que você existia. Me ofereceu uma cadeira para
sentar, pouca diferença me fez, lembro apenas de ter visto do seu pescoço para
baixo, alto, largo, de jaleco e com andar meio desajeitado. Da segunda vez que
eu te vi você estava sentado debruçado em sua mesa trabalhando, foi quando
soube que trabalharia com você. Dessa vez eu vi seu rosto, nada me atraiu, seu
sotaque puxado menos ainda. Lembro que você me deu algo ridículo e despretensioso
para fazer, mesmo assim eu fiz como se fosse a coisa mais importante que eu já
havia feito. Da mesma forma eu procurei o que fazer porque você aparentava não ter
ideia das atividades que poderia passar para mim.
Um dia você
me mostrou a área dos animais e se comportou como tal, tal como uma raposa que
sutilmente se aproxima da preza. Me perguntou como era ter um relacionamento no
meu país, te expliquei qualquer coisa sobre as contradições que ocorrem e o meu
ponto de vista. Você queria saber se eu achava certo ou errado e eu tentei te
dizer que não acredito em dicotomia. Naquele dia quando saímos dali minha
intuição falou que aquela pergunta era você sondando a minha vida com segundas intenções,
mas não quis acreditar nessa verdade e simulei para mim mesma que era apenas
uma curiosidade.
Por duas
semanas eu trabalhava com você apenas durante os finais de semana, mas quando a
rotina se normalizou eu te via de domingo a domingo, das nove da manhã às cinco
da tarde, e muitas vezes comecei a te ver depois das cinco. Nunca te contei,
mas eu te achava parecido com uma máquina fazendo coisas automaticamente, sem
demonstrar o que se passava dentro de você. Durante esse meio tempo eu tive
problemas, inúmeros problemas que eu não tinha como solucionar, fugiam do meu
alcance em proporção e distância, pois ocorriam em outro país. Eu não sei se eu
era transparente para você, mas toda vez que eu estava triste você sabia, se
com dor você identificava, se cansada você também me dizia. Sei que uma de suas
qualidades é ser um bom observador, mas você me lia por inteiro e sabia como me
acalmar. Passou a ir caminhar comigo, me disse que não conhecia a cidade e eu
como descobridora de mares me ofereci para te mostrar.
Em poucos
dias fomos fazer uma trilha, que para mim era apenas uma longa caminhada. Você levou
sua câmera, se deitava pelo chão tirando fotos, não é de se estranhar já que
com seus quase dois metros de altura se abaixar não seria suficiente. Tentou me
ensinar a usar sua câmera, aperta assim, segura assim, quando eu vi estava por
trás de mim e eu entre seus braços querendo achar que aquilo não era mais que a
sua amizade. Tirei sua foto umas trinta vezes até uma ficar boa. Nunca entendi
como eu saia bem nas fotos que você tirava, mas você sempre desaparecia nas que
eu fotografava. Fazer o quê né, a câmera era sua há anos, eu não ia aprender em
segundos o que você levou anos praticando.
Nesse mesmo
dia quando caminhávamos para casa paramos em um restaurante para lanchar. Lembro
como se tivesse sido ontem a minha cara de medo e susto quando se declarou para
mim. Não quero te enganar saindo como se fosse seu amigo, eu quero ter um
relacionamento com você, gosto de você. Suspirei, não conseguia mais comer. Tudo
que suspeitei era verdade menos a sua intenção de sermos apenas amigos. Te disse
que não sabia o que fazer com essa situação, trabalhávamos juntos, convivíamos juntos,
não poderia passar disso. Comemos. Conversamos e eu sem saber como sair dessa
resolvi apelar pelo tempo. O caminho inteiro para casa você continuou a se
declarar para mim afirmando que sabia que daríamos certo juntos.
O cemitério
na minha vida possui um local especial. Meu primeiro beijo tinha vista pro
cemitério. Quando você explicou o motivo da sua declaração estávamos parados em
frente ao cemitério que fica no meio da cidade. Me falou do seu trágico
primeiro amor, amor que nasceu do silêncio e morreu antes mesmo de brotar na
terra. E como eu era parecida com seu primeiro amor, e como isso era pra você a
chance que havia recebido de fazer o que você não fez da primeira vez. Se declarar,
tirar o amor das sombras e fazê-lo brotar. Fazia frio, mas por ser verão eu não
havia levado meu casaco, você me deu o seu e eu com muita relutância aceitei,
aceitei também a sua declaração.
Quando cheguei
em casa me arrependi de tudo, achei que havia errado desde o princípio e te
mandei uma mensagem de que não poderia ficar assim, que eu não deveria ter
aceitado e que voltava atrás. A partir daí não tinha mais um dia de paz, sua
segunda qualidade que impressionou foi a persistência e dedicação, mesmo
ouvindo não diversas vezes ao dia, diversos dias na semana, você não desistia. Fizemos
um acordo de que eu aceitaria sair com você como amigos e se um dia despertasse
algum sentimento por você conversaríamos novamente. Você me fez aceitar que eu
te encontraria todos os dias após o expediente e que caminharíamos juntos como
uma forma de nos aproximarmos. Te devolvi o casaco, mas aceitei caminhar com você.
Muito tempo
depois você me disse que tomou coragem para se declarar por mim porque eu era
legal e gentil com você. Nunca pensei que isso seria motivo para alguém se
declarar, eu sou legal com todo mundo, imagina se o critério fosse apenas esse.
Mas para você foi a chama que acendeu sua persistência.
Tinha dias
que eu não aguentava mais, eu ia ligar para polícia e te denunciar, quis chamar
sua chefe e dizer tudo, mas não fiz. Você se mostrava responsável com seu
trabalho, falava com sua família todos os dias, trabalha para eles, vivia para
eles, sustentava seus sonhos e os de sua família sozinho. Se orgulhava em ver
sua família vivendo bem mesmo quando você tinha que se privar de ambições e
anseios para isso. Eu não queria destruir tudo. Não era justo, eu não achava
justo.
Você me dizia
que nunca teve uma namorada e a única namorada que teve foi imaginária, era uma
amiga a quem nunca se declarou, com quem sonhou casar e ter filhos, mas que se
foi antes de terem tempo mesmo que para dizer eu te amo. Vi você chorar por um
amor que nunca se materializou, vi você usar um boné mesmo na chuva por ter
sido da sua sobrinha que você não via há meses, vi você me amparar quando eu
precisei. E não precisei ver mais do que isso para entender que mesmo não me
sentindo atraída eu gostava de você.
Lembro do
nojo que senti da primeira vez que pediu para segurar a minha mão. Você não acariciou,
não fez nada mais que segurar a minha mão. Eu sentia os calos na sua palma, a
pele grossa e áspera me fazia não querer segurar sua mão por mais tempo. Pedi que
soltasse, que parasse de usar as caminhadas para se declarar de novo e de novo,
mas que fosse um momento para falar mais de cada um, dos gostos, da vida. Você disse
que eu iria me arrepender, que sabia que eu gostava de dormir com a cabeça
apoiada em seu ombro, falou mais umas duas coisas que eu gostava e que não lembro
agora, então me disse que para você nós já tínhamos vivido juntos em outra
vida, outro momento.
Passamos a
ir no mercado juntos, você carregava meus milhões de sacos mais os seus até em
casa, eu não queria deixar, mas você insistia e levava quase tudo sozinho em
uma caminhada de mais de meia hora. Brincava comigo se fazendo de besta e me
fazia rir mesmo a contragosto, olhava para mim e se deixava bater contra a
parede, passava o cartão do ônibus para abrir a porta e falava besteiras em uma
língua inventada por você que me davam raiva, mas que ao mesmo tempo eu achava
graça. Quando passávamos por algum casal de mãos dadas você fazia o favor de me
mostrar e dizer que devíamos andar do mesmo jeito. Cheguei a chorar na sua
frente de aflição pela persistência descomunal em um relacionamento que eu não via
como iria começar ou terminar sendo você de um mundo e eu de outro.
Até que um
dia você me convenceu. Fomos caminhar em um dos locais que eu mais gosto, ao
lado de um rio descendo a colina que vez ou outra faz cascata de cachoeira. Tem
uma escadinha que dá em frente a ponte que liga as duas margens do rio, fica em
cima da parte que parece cachoeira, do lado direito um banco de praça em baixo
de uma árvore. Sentamos no banco para olhar o rio. Já havíamos sentado ali
inúmeras vezes, almoçado ali, lanchado ali, mas dessa vez apenas sentamos. Você
virou para mim e disse que tínhamos feito até então tudo que um casal faz ou
mais que isso, pois nos víamos todos os dias por mais de doze horas em um dia
de vinte e quatro horas, saíamos todos os dias, nos dávamos bem juntos, trabalhávamos
bem juntos, só não nos beijávamos. E foi aí que você me desarmou e nos beijamos
para depois nos acabarmos na risada, pois você apesar de ter insistido tanto não
sabia o que fazer. Seu primeiro beijo era meu.
Dali em
diante você parou de ser persistente pois sabia que já havia me ganhado. A rotina
era a mesma, mas em sua loucura você não sabia o perigo que era se descobrissem
que estávamos juntos. Decidimos então que o relacionamento seria só nosso, sem
divulgação nem conhecimento de ninguém. Nos separamos por duas semanas e como
se fosse brincadeira do destino você me ligava quando eu pensava em você, e eu
te mandava mensagem na exata hora em que você abria o celular.
Você sempre sério me fez acreditar que por mim
faria do meu mundo o seu mundo. Que ficaríamos juntos e que os seus filhos
seriam os meus filhos. Descobri que eu gostava de segurar sua mão, de deixar a
minha cabeça repousar sobre o seu ombro e de conviver com você apesar de sua displicência
e de nada ser perfeito, pois nada é perfeito, mas fazíamos boa convivência em
todos os sentidos.
Descobri que
era verdade quando você me dizia que daríamos certo, que eu iria me arrepender
por não termos ficado juntos logo. Não me arrependi de fato, mas desejei ter
tido mais tempo com você. Viramos um casal que convivia vinte e quatro horas
juntos sem aparentemente ninguém saber. Apesar de me dizer que nunca havia
abraçado uma mulher em um relacionamento você sempre soube o que fazer, nunca
me machucou nem mesmo me deixou sem sentir desejada. Pelo contrário, você sabia
a pressão certa de me segurar, eu cabia exatamente em seus braços e você em
minha calça, seus pés em meu sapato. Mesmo sendo uma pessoa gigante suas mãos eram
do tamanho das minhas e suas roupas também cabiam em mim. Nunca entendi que
proporção era essa, mas tudo bem.
Discutíamos
a fome, a pobreza, a soberba, e a marca do papel higiênico que iriamos comprar.
Você veio para minha casa porque sabia que eu nunca iria aceitar casar com
alguém que eu meramente conhecia. Você veio e abriu espaço em meu coração para
entender que eu tenho sim capacidade de viver com alguém, e viver bem. Quebrou meus
traumas e me fez ver que no fundo talvez não seja tão ruim assim ser um casal.
Eu brigava
com você, mas você nunca brigou comigo, nem nunca me deixou chorar. Era tão
chato com isso que nem quando eu queria eu chorava só por causa da sua chatice.
Fiquei triste e você passou a ser mais organizado com suas coisas, bebia menos,
fumava menos. Você era todo errado, mas mesmo assim eu gostava, e gostava mais
ainda por você admitir que não era perfeito. Você nunca foi bom pra fazer
escolhas, gosta do belo, do que desperta o seu coração. Também nunca me
explicou ao certo porque decidiu loucamente que precisava ficar comigo mesmo
sabendo do risco que corria se eu denunciasse todas as mensagens
que tinham sido enviadas por você.
Eu vivi com
você um misto entre amor e admiração. Não vou contar mais porque levaria muitos
dias para explicar tudo o que nos levou a chegar até aqui.
O amor é
mais forte que a distância, era isso que você dizia e são essas as palavras que
eu me forço lembrar quando você some entre seus problemas e faz como se
esquecesse de mim.
Todos os
dias eu acordo pensando em desistir de você, no presente você não passa de uma
lembrança boa e saudosa do dia em que eu pensei ter encontrado o meu amor
personificado. Você, a quem eu tanto refutei, a quem eu mostrei minha fragilidade e fortaleza, você... essa pessoa que eu tenho que decidir todos os
dias se ainda está comigo ou não. Você que fez tanto e que hoje não faz mais que
desaparecer. Você por quem eu já chorei e roguei a Deus para que me fizesse
esquecer.
Você...
A minha intuição diz para eu ter paciência, mas só Deus sabe até onde isso vai chegar.
“Se está
escrito antes dos tempos...”
sábado, 21 de maio de 2016
Coisas que eu gosto
1. Casa cheia, mas não cheia só pra festa, casa cheia de gente que vive junto, come junto, briga e aprende a conviver juntos.
2. Amigos na sala de estar.
3. Dançar e dançar e dançar.
4. Cozinhar com verduras frescas.
5. Ir na feira comprar as verduras e flores.
6. Observar os peixes nadando no aquário.
7. Observar o mar.
8. Subir uma montanha.
9. Andar na natureza.
10. Assistir filme no cinema.
11. Ter comida pronta e quentinha na hora que estou com fome.
12. Caminhar, andar de bicicleta, patinar.
13. Ler.
14. Ouvir música.
15. Ir ao teatro e ao museu.
16. Aprender algo novo.
17. Superar obstáculos.
18. Conversar.
19. Reconhecer minhas limitações.
20. Descobrir novas possibilidades.
21. Me desapegar do que não me acrescenta.
22. Conhecer pessoas e novos lugares.
23. Desafiar o raciocínio lógico.
24. Céu.
25. Identificar na minha vida a ação de anjos e seres espirituais.
26. Encontrar alguém que não vejo há muito tempo.
27. Meditar.
28. Aprender.
29. Criar.
30. Ter tempo pra mim mesma.
31. Quando consigo ser gentil com as pessoas.
32. Quando tenho paciência comigo e com os outros.
33. Quando consigo conviver com meus familiares.
34. Quando escuto e sou escutada.
35. Quando as decisões tomadas são feitas em conjunto.
36. Sorvete.
37. Hortelã e gengibre.
38. Encontrar as pessoas que amo.
39. Amar as pessoas que encontro.
2. Amigos na sala de estar.
3. Dançar e dançar e dançar.
4. Cozinhar com verduras frescas.
5. Ir na feira comprar as verduras e flores.
6. Observar os peixes nadando no aquário.
7. Observar o mar.
8. Subir uma montanha.
9. Andar na natureza.
10. Assistir filme no cinema.
11. Ter comida pronta e quentinha na hora que estou com fome.
12. Caminhar, andar de bicicleta, patinar.
13. Ler.
14. Ouvir música.
15. Ir ao teatro e ao museu.
16. Aprender algo novo.
17. Superar obstáculos.
18. Conversar.
19. Reconhecer minhas limitações.
20. Descobrir novas possibilidades.
21. Me desapegar do que não me acrescenta.
22. Conhecer pessoas e novos lugares.
23. Desafiar o raciocínio lógico.
24. Céu.
25. Identificar na minha vida a ação de anjos e seres espirituais.
26. Encontrar alguém que não vejo há muito tempo.
27. Meditar.
28. Aprender.
29. Criar.
30. Ter tempo pra mim mesma.
31. Quando consigo ser gentil com as pessoas.
32. Quando tenho paciência comigo e com os outros.
33. Quando consigo conviver com meus familiares.
34. Quando escuto e sou escutada.
35. Quando as decisões tomadas são feitas em conjunto.
36. Sorvete.
37. Hortelã e gengibre.
38. Encontrar as pessoas que amo.
39. Amar as pessoas que encontro.
domingo, 8 de maio de 2016
Flores e afins
Desde ontem o meu coração chora silencioso, a garganta trava com o soluço que não sai e os olhos ardem com as lágrimas que não chegam.
Engraçado como eu sempre chego a esse ponto de amar demais, de amar todo mundo, e de não me sentir amada. Desde anos eu sofro desse mal e é sempre assim, até chegar o dia que alguma palavra é dita ou não, e pelo excesso de palavras que me deixam no vazio ou pelo excesso de vazio que vem da ausência de palavras eu faço a escolha mais difícil e deixo esse tal de amor bandido ir embora pra cuidar de quem mais precisa do meu amor e bem querer, eu mesma. Se machuca? Sim, sempre, mas hoje aconteceu algo que eu não esperava e que me ensinou alguma coisa importante...

Saí dalí sem saber se eu tinha entedido direito. Meio difícil isso de entender.
Fui em outra barraca porque ainda me faltava comprar umas coisas. O rapaz que me atendeu depois de começar a embalar o que comprei me perguntou se eu era paixonada, você é apaixonada menina?, pensei bem brevemente e respondi com vontade, sou apaixonada sim, e ele me disse, pois seja apaixonada pela vida, porque o resto não vale muito a pena.
Cheguei em casa, lembrei que havia esquecido algo com o feirante, nem sei se ele cobrou, mas volto lá depois pra buscar. Fui arrumar as flores no jarro, umas margaridas pequeninas e uma galha de folhas que o freguês colocou pra mim. Depois de colocar o jarro na mesa, vi que uma folha caiu em minha cama, pequenininha e verde brilhante em formato de coração. Não tem outra, tanto amor que seria injusto eu ficar triste por uma dor que passa.
....
Fatos reais de uma vida de ilusões.
....
Tem gente que não acredita em Deus, eu não tenho condições de não acreditar. Ele vive a cuidar de mim, a me alegrar quando estou triste e a me explicar sobre a vida mesmo quando estou sofrendo pela centésima vigésima terceira desilusão. Ele aparece em diversas formas e me ajuda sem medo de me fazer perceber que é a sua força agindo em minha vida.
A dor que sinto vai passar, mas a lembrança de Deus em minha vida ficará comigo para sempre...
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