sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Como mudei a forma de ver a minha vida

Tenho tantas coisas que gostaria de escrever, mas por falta de tempo e preguiça acabo deixando os pensamentos para trás. Em parte, acredito que deveria praticar mais a minha escrita. Tenho escrito pouco e como toda habilidade vem com a prática, começo a sentir dificuldade em expressar minhas ideias. Os parágrafos saem pela metade e o pensamento inicial se perde em meio a vírgulas e pontos de continuação.

Para dar mais ordem aos fatos que sucederão em breve vou dividir a história em duas. Primeiro porque aconteceram em momentos diferentes e segundo porque o sentido que deram a minha vida foram marcantes.

A primeira história aconteceu quando fui fazer uma trilha que inicialmente deveria levar oito horas. Cinco pessoas, muito entusiasmo, mas pouco preparo físico. Começamos a trilha pela manhã e antes mesmo de chegarmos ao pé da montanha havíamos feito umas três paradas pra descanso. Era longe? Era. Uma hora ou mais só pra chegar no pé da montanha, mas até aí ainda íamos bem. Tínhamos lanche, água, casaco, tudo preparado. Mas antes de começar a descrever o que houve deixa eu dar uma breve ideia de quem ia comigo.
Dos cinco, duas jovens, uma cheia de energia e pronta para bater o recorde de subida mais rápida da montanha e outra com muita boa vontade, mas com um passo que levaria três dias para completar a trilha. Opostos. Mais dois jovens, um sociável e animadíssimo para tirar alguns selfies e outro de cara amarrada, que apesar de ter potencial para ser gentil só utiliza desse dom em momentos especiais da vida. Opostos. E lá ia eu no meio.
Como se pode imaginar o grupo se dividiu em poucos instantes, a jovem iniciou sua corrida contra o tempo e disparou na frente largando o resto do grupo para trás. A outra jovem com seu passo lento ficou no final do grupo sendo amparada pelo jovem sociável. Eu que não queria ir na frente e largar o resto do grupo fiquei no meio assim como o outro jovem carrancudo. Trabalho em equipe nível zero, diálogo em pontos negativos. Aos poucos o jovem que vinha comigo resolveu tirar os fones e começamos a conversar. Apesar de seu constante ar zangado e piadas sarcásticas ele aparentou ter um bom espírito. 
Finalmente, chegamos no pé da montanha, uma paisagem linda com as montanhas enormes cheias de neve no topo, um rio correndo no meio com um espaço para formar pequenos lagos de vez em quando. Mas só chegamos no pé da montanha depois de horas! Queria rir pela brincadeira que aquilo parecia. A montanha que deveríamos escalar era um bloco grande formado de pedras de diversos tamanhos empilhadas umas sobre as outras e soltas. E mais, estava nevando no topo da montanha, frio, já um pouco nublado e a recomendação era se começássemos a subir não poderíamos voltar pelo mesmo caminho devido ao risco das pedras rolarem e torcermos alguma coisa. Se começar precisa terminar, sem volta, vai até o fim, ponto final.
Era isso. Começamos. Pensando bem, com o grupo não uniforme que formávamos não seria muito recomendado iniciar essa aventura, mas lá fomos nós. Tive medo de altura, medo de cair rolando, medo de não pisar rápido o suficiente entre as pedras e alguma se soltar antes de eu dar o meu próximo passo, mas acima do medo a coragem. E que coragem? No meio do caminho senti um frio na espinha, estava exausta, minhas pernas mal me sustentavam. Estava no meio do início e já me faltava energia para continuar. Sentei e admirei a paisagem de tão alto pelo menos para fazer valer a pena todo aquele esforço. Era assustador ver aquela imensidão. Assustador ver quão lindo o mundo pode ser. Morri de medo em me ver no meio da montanha de pedras, acima do vale e entre tantos gigantes naturais como se eu estivesse dentro de uma foto ou de um livro. Olhei para cima e vi que o jovem carrancudo também estava sentado e me esperando. Aos poucos criei coragem para subir e consegui sentar próxima a ele.
Ele quase que deitava sobre uma rocha grande equilibrada entre outras rochas menores. Lá mais em cima eu via a jovem quebradora de recordes e lá embaixo os outros dois subindo entre selfies e paradas para descanso. No meio do caminho íamos nós. Conversamos qualquer coisa e comentei como aquilo parecia difícil de completar. Uma trilha que ainda na primeira parte já esgotava minha energia de tanta força que eu colocava para galgar as pedras. Uma a uma eu me segurava, testava a próxima e subia passo a passo. Apesar de não ter esperado ele me respondeu algo que mudou a forma como vejo a vida, não lembro em nada as palavras, mas ficou a sensação que elas me deixaram. E é por isso que contei todo esse enredo até agora, para narrar a vocês o  que mudou a minha forma de ver a vida...
Num caminho sem volta assim como a vida cada passo é incerto, cada pequeno movimento pode te levar a uma ascensão ou a retroceder dois passos se a próxima pedra não estiver firme na sua posição. Não sabemos quando esse caminho vai acabar e muitas vezes cansamos exaustivamente ainda no início, mas não podemos desistir, pequenos passos serão grandes avanços.
Naquele dia eu ouvi que estava sozinha, não importasse o quanto ele me esperasse para fazermos a trilha juntos, as pernas que me fariam subir a montanha eram as minhas, a força para ir até o fim viria do meu corpo, e no fim eu estava só desafiando a mim mesma num caminho sem volta. Você pode até caminhar com amigos, mas a sua caminhada quem trilhará será você.
Eu estava com medo pela altura, pela falta de trabalho em grupo e pelas pedras que me faziam subir em diferentes velocidades. Às vezes bem devagar tentando achar onde por a mão ou o pé no próximo passo, outras vezes bem rápido para não dar tempo de escorregar. Mas apesar de tudo eu tinha que seguir em frente, tomar conta de mim mesma contra o frio e a fome, descansar quando preciso, caminhar sempre.
Fiquei com vontade de chorar. Queria ouvir que poderia contar com alguém, que se algo ocorresse teria apoio, mas ouvir que estava só fazia as coisas mudarem de cor e eu vi aquela trilha passar a ser a minha vida. E ele estava certo, por mais que alguém me ajude a minha vida é trilhada por mim e ninguém mais.

Caminhamos juntos, passamos por gelo e neve. Um doce e breve olhar sobre os vales em torno da montanha, inúmeros lagos e rios, cachoeiras brotando entre as pedras de montanhas distantes. Tudo visto em um relance, entre piscar de olhos e passos triunfantes de quem chegou ao topo sem saber que ainda restavam mais quatro horas pra descer a montanha. Terminamos todos juntos devido à escuridão que nos alcançou depois do pôr-do-sol, entre lanternas e celulares saímos vivos com o nosso grito de guerra “hambúrguer, suco, batata, arroz, bife, jantar”, todas as palavras que poderiam fazer mover cinco esfomeados. Trabalho em grupo apesar de tudo.  


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 A segunda história fica pra outro dia... já é tarde e o travesseiro me chama.


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Pensamentos aleatórios

Muitas coisas têm acontecido e aos poucos eu vou tentando colocar alguma ordem na bagunça da minha vida. A volta aos engarrafamentos, ao calor, ao medo de ser assaltada, as orações para ter paciência e o pão nosso de cada dia. Mudanças que apesar de eu tentar não me sentir incomodada às vezes me esmagam contra à parede. Como nem tudo na vida é ruim, isso também vem acompanhado do carinho da família, da atenção dos amigos e de uma forma um pouco mais madura de entender o que ocorre comigo.
Um dos pontos mais importantes que notei em mim mesma é que sou extremamente sociável e eu preciso sair e ver as pessoas que me são queridas para me sentir bem. Já tinha ouvido isso anteriormente, mas agora pude perceber na própria pele como o meu humor e o meu dia podem mudar completamente quando interajo socialmente, me expresso, escuto as pessoas e saio para viver mesmo que poucas horas do dia ao ar livre. Eu já sabia que passarinho engaiolado não canta de alegria, mas agora isso faz completo sentido para mim.
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O poder da intuição

Intuição é uma sugestão sutil em nossa mente que geralmente indica uma direção a ser tomada.
A intuição é muitas vezes negligenciada por ir na direção oposta aos nossos desejos e planos. Com frequência ela nos chega para apontar uma maneira mais segura de efetuar uma operação ou mesmo para dizer que devemos parar em casa por alguns minutos antes de irmos ao trabalho. Não podemos culpar as pessoas por não ouvirem a sua intuição, pois muitas vezes é difícil reconhece-la. 

Um comentário:

Mari B. disse...

Muito bom! Gostei sobretudo da reflexão durante a subida pela montanha: de como somos tão pequenos diante de tanta grandiosidade e que, por mais que pessoas nos ajudem em nossa vida, a caminhada é só nossa.. cada um é responsável pelo seu próprio avanço.
Ótima reflexão sobre a intuição também, muitas vezes devemos dar mais ouvidos a ela.
Um ótimo final de semana!
Marina