sábado, 23 de janeiro de 2016

Um texto amargo e talvez injusto sobre a cidade planejada para ser o paraíso


Hoje eu entendi que o dia era para escrever. Todos os planos cancelados, a internet cortada na biblioteca e em casa, presa comigo mesma entre carros e um tanque de gasolina que diminui rapidamente. Não foi essa semana que coloquei quase cinquenta reais? O dinheiro vai escoando pelos dedos e a gente nem se dá conta.




O céu visto pela minha janela parece estar mais distante do que antigamente apesar das nuvens densas que ao decorrer do dia fazem um chuvisco. Tão engraçado como as nuvens parecem estar mais altas, e mesmo nublado a cidade ainda brilha com os resquícios de luz solar. Moro na cidade que têm tudo para ser o paraíso. Belezas naturais em cada esquina, um centro histórico com prédios construídos há mais de quinhentos anos, uma população que sabe e gosta de festejar, pessoas que se dedicam no dia a dia para receber o seu salário e viver uma vida digna.
Me lembro ainda de quando minha vó tinha saúde e me contava que passava um rio pela nossa rua, lembro das aulas de história em que o professor dizia sobre o rio que cruzava o centro histórico, de quando minha mãe falava que o ônibus não passava naquele bairro onde o rio aos poucos desapareceu. Eu ainda cheguei a ver muitos dos poucos rios que haviam sobrevivido até os anos 90, mas todos eles já tinham virado coletores de esgoto a céu aberto. Que criança saberá que ali onde hoje fica o parquinho antigamente era o rio esgoto? Todos os rios foram mortos à medida que a cidade crescia e depois lacrados em tubos de cimento para dar passagem aos carros. Minha cidade que têm tudo para ser o paraíso na Terra perdendo seus brincos de ouro, sua Veneza tropical.
Entre um prédio e outro um pouco de mato e um coqueiro que nem é nossa árvore típica. Mas como que duas bandeiras triunfantes dois coqueiros estendem suas palhas solitárias em um plano de fundo distante. Até lá só a selva de pedra. Engraçado como eu consigo imaginar a cachoeira que descia pela ladeira e o vale onde hoje se encontra a rua comercial. Entre o vai e vêm de pessoas eu me pergunto se será que é isso mesmo que eu vim fazer aqui: destruir mais, comprar o que não preciso, gastar o que não tenho.
São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas a população é o que toda boa cidade tem de melhor. Na minha cidade que poderia ser o paraíso, a população é extremamente religiosa e supersticiosa, varia entre gente que se veste de branco toda sexta ao pregador com a sua bíblia no ponto de ônibus. A religião é diversificada, mas mesmo proclamando que Deus é amoroso e perdoou a todos, seus fiéis mais próximos ainda não conseguiram entender a diferença entre opinião pessoal, respeito e compreensão do que hoje chamamos intolerância religiosa. Esse dilema entre valores ainda complica a convivência na comunidade, mas mesmo assim vamos vivendo entre pedradas e cultos dominicais. Como dizem “aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra”, fico a pensar quantos santos e não pecadores existem por aí para termos tantas pedras sendo atiradas uns aos outros. Falando nisso fui na festa da lavagem outro dia porque aqui tem lavagem para tudo, rua, escada, beco, encruzilhada. É só dizer o dia e o local que a lavagem será armada. A lavagem para quem não sabe é uma festa popular com muita música, bebida e dança, podendo ter uma conotação religiosa ou profana. Aos mais íntimos da cultura a lavagem também pode vir acompanhada da enxaguada, que nesse caso também é uma festa, mas que pela ordem dos fatores se o leitor for bom de lavar roupa, ocorre depois da festa da lavagem.
Apesar de tudo as pessoas no fundo têm um coração bom. Alguém pode até te dar um copo de água e um lanche se você aparentar faminto, mas tenha a cautela de verificar se já não está estragado, pois muitas vezes doamos aquilo que não nos serve mais de tão duro que o pão está ou de tão antigo que o feijão ficou na geladeira. A boa vontade existe e é latente, mas resistimos muito a oferecer ao outro aquilo que ainda nos serve. Talvez sejam marcas de uma pobreza antiga ou o pensamento de que amanhã aquele pote de feijão ainda poderá salvar o almoço.  Entretanto, se te oferecerem um copo de cerveja tenha certeza que ele virá gelado, pois na bebida todos se encontram com a garrafa recém-aberta.    
Aqui todo mundo é tio ou tia se o interlocutor for uma criança pequena ou adolescente. A proximidade cruza inúmeras barreiras e em poucos minutos você pode virar o amigo de infância ou a princesa de alguém. Conversas de negócio podem vir acompanhadas de piadas e apelidos numa via informal. Mas apesar de parecermos relaxados aqui o trabalhador sai cedo de casa e sempre se depara com o engarrafamento constante e o ônibus cheio. Ouvi outro dia de um rapaz na rua que a cidade estava estranha pois ele não havia pego um engarrafamento. Se eu pudesse faria a cidade ficar estranha todo dia, mais ainda se fosse capaz de reduzir a música alta e o número de outdoors.
Uma cidade linda mesmo sendo feia. Ainda lembro quando falei essa frase sem sentido. Estava dirigindo dois anos atrás pela cidade baixa com um amigo no carona. Ele de outro estado replicou que aqui não era lá um lugar bonito. Não podia deixar aquilo passar, tinha tanto orgulho da minha cidade que os meus olhos viam beleza até nas casas caídas e no povo sofrido. Como não admirar aquele que tem força e segue em frente mesmo no caos? Como não achar bonita as marcas de sol no rosto de quem aguenta passar o dia inteiro exposto pelas ruas. Muita crueldade não ver a bravura e a beleza que moram nesses atos.  
A minha cidade em seu projeto que não existiu tinha tudo para ser o paraíso, hoje ela tem tudo, shopping da moda, carro importado, roupa bonita, só não tem a minha bucólica paz.



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Música


Atualmente eu prefiro deixar o rádio desligado. A mesma música que eu ouvia quando criança é a que toca no especial do meio dia e quando não é sobre amor é sobre sexo ou sobre sexo sem amor. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Como mudei a forma de ver a minha vida

Tenho tantas coisas que gostaria de escrever, mas por falta de tempo e preguiça acabo deixando os pensamentos para trás. Em parte, acredito que deveria praticar mais a minha escrita. Tenho escrito pouco e como toda habilidade vem com a prática, começo a sentir dificuldade em expressar minhas ideias. Os parágrafos saem pela metade e o pensamento inicial se perde em meio a vírgulas e pontos de continuação.

Para dar mais ordem aos fatos que sucederão em breve vou dividir a história em duas. Primeiro porque aconteceram em momentos diferentes e segundo porque o sentido que deram a minha vida foram marcantes.

A primeira história aconteceu quando fui fazer uma trilha que inicialmente deveria levar oito horas. Cinco pessoas, muito entusiasmo, mas pouco preparo físico. Começamos a trilha pela manhã e antes mesmo de chegarmos ao pé da montanha havíamos feito umas três paradas pra descanso. Era longe? Era. Uma hora ou mais só pra chegar no pé da montanha, mas até aí ainda íamos bem. Tínhamos lanche, água, casaco, tudo preparado. Mas antes de começar a descrever o que houve deixa eu dar uma breve ideia de quem ia comigo.
Dos cinco, duas jovens, uma cheia de energia e pronta para bater o recorde de subida mais rápida da montanha e outra com muita boa vontade, mas com um passo que levaria três dias para completar a trilha. Opostos. Mais dois jovens, um sociável e animadíssimo para tirar alguns selfies e outro de cara amarrada, que apesar de ter potencial para ser gentil só utiliza desse dom em momentos especiais da vida. Opostos. E lá ia eu no meio.
Como se pode imaginar o grupo se dividiu em poucos instantes, a jovem iniciou sua corrida contra o tempo e disparou na frente largando o resto do grupo para trás. A outra jovem com seu passo lento ficou no final do grupo sendo amparada pelo jovem sociável. Eu que não queria ir na frente e largar o resto do grupo fiquei no meio assim como o outro jovem carrancudo. Trabalho em equipe nível zero, diálogo em pontos negativos. Aos poucos o jovem que vinha comigo resolveu tirar os fones e começamos a conversar. Apesar de seu constante ar zangado e piadas sarcásticas ele aparentou ter um bom espírito. 
Finalmente, chegamos no pé da montanha, uma paisagem linda com as montanhas enormes cheias de neve no topo, um rio correndo no meio com um espaço para formar pequenos lagos de vez em quando. Mas só chegamos no pé da montanha depois de horas! Queria rir pela brincadeira que aquilo parecia. A montanha que deveríamos escalar era um bloco grande formado de pedras de diversos tamanhos empilhadas umas sobre as outras e soltas. E mais, estava nevando no topo da montanha, frio, já um pouco nublado e a recomendação era se começássemos a subir não poderíamos voltar pelo mesmo caminho devido ao risco das pedras rolarem e torcermos alguma coisa. Se começar precisa terminar, sem volta, vai até o fim, ponto final.
Era isso. Começamos. Pensando bem, com o grupo não uniforme que formávamos não seria muito recomendado iniciar essa aventura, mas lá fomos nós. Tive medo de altura, medo de cair rolando, medo de não pisar rápido o suficiente entre as pedras e alguma se soltar antes de eu dar o meu próximo passo, mas acima do medo a coragem. E que coragem? No meio do caminho senti um frio na espinha, estava exausta, minhas pernas mal me sustentavam. Estava no meio do início e já me faltava energia para continuar. Sentei e admirei a paisagem de tão alto pelo menos para fazer valer a pena todo aquele esforço. Era assustador ver aquela imensidão. Assustador ver quão lindo o mundo pode ser. Morri de medo em me ver no meio da montanha de pedras, acima do vale e entre tantos gigantes naturais como se eu estivesse dentro de uma foto ou de um livro. Olhei para cima e vi que o jovem carrancudo também estava sentado e me esperando. Aos poucos criei coragem para subir e consegui sentar próxima a ele.
Ele quase que deitava sobre uma rocha grande equilibrada entre outras rochas menores. Lá mais em cima eu via a jovem quebradora de recordes e lá embaixo os outros dois subindo entre selfies e paradas para descanso. No meio do caminho íamos nós. Conversamos qualquer coisa e comentei como aquilo parecia difícil de completar. Uma trilha que ainda na primeira parte já esgotava minha energia de tanta força que eu colocava para galgar as pedras. Uma a uma eu me segurava, testava a próxima e subia passo a passo. Apesar de não ter esperado ele me respondeu algo que mudou a forma como vejo a vida, não lembro em nada as palavras, mas ficou a sensação que elas me deixaram. E é por isso que contei todo esse enredo até agora, para narrar a vocês o  que mudou a minha forma de ver a vida...
Num caminho sem volta assim como a vida cada passo é incerto, cada pequeno movimento pode te levar a uma ascensão ou a retroceder dois passos se a próxima pedra não estiver firme na sua posição. Não sabemos quando esse caminho vai acabar e muitas vezes cansamos exaustivamente ainda no início, mas não podemos desistir, pequenos passos serão grandes avanços.
Naquele dia eu ouvi que estava sozinha, não importasse o quanto ele me esperasse para fazermos a trilha juntos, as pernas que me fariam subir a montanha eram as minhas, a força para ir até o fim viria do meu corpo, e no fim eu estava só desafiando a mim mesma num caminho sem volta. Você pode até caminhar com amigos, mas a sua caminhada quem trilhará será você.
Eu estava com medo pela altura, pela falta de trabalho em grupo e pelas pedras que me faziam subir em diferentes velocidades. Às vezes bem devagar tentando achar onde por a mão ou o pé no próximo passo, outras vezes bem rápido para não dar tempo de escorregar. Mas apesar de tudo eu tinha que seguir em frente, tomar conta de mim mesma contra o frio e a fome, descansar quando preciso, caminhar sempre.
Fiquei com vontade de chorar. Queria ouvir que poderia contar com alguém, que se algo ocorresse teria apoio, mas ouvir que estava só fazia as coisas mudarem de cor e eu vi aquela trilha passar a ser a minha vida. E ele estava certo, por mais que alguém me ajude a minha vida é trilhada por mim e ninguém mais.

Caminhamos juntos, passamos por gelo e neve. Um doce e breve olhar sobre os vales em torno da montanha, inúmeros lagos e rios, cachoeiras brotando entre as pedras de montanhas distantes. Tudo visto em um relance, entre piscar de olhos e passos triunfantes de quem chegou ao topo sem saber que ainda restavam mais quatro horas pra descer a montanha. Terminamos todos juntos devido à escuridão que nos alcançou depois do pôr-do-sol, entre lanternas e celulares saímos vivos com o nosso grito de guerra “hambúrguer, suco, batata, arroz, bife, jantar”, todas as palavras que poderiam fazer mover cinco esfomeados. Trabalho em grupo apesar de tudo.  


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 A segunda história fica pra outro dia... já é tarde e o travesseiro me chama.


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Pensamentos aleatórios

Muitas coisas têm acontecido e aos poucos eu vou tentando colocar alguma ordem na bagunça da minha vida. A volta aos engarrafamentos, ao calor, ao medo de ser assaltada, as orações para ter paciência e o pão nosso de cada dia. Mudanças que apesar de eu tentar não me sentir incomodada às vezes me esmagam contra à parede. Como nem tudo na vida é ruim, isso também vem acompanhado do carinho da família, da atenção dos amigos e de uma forma um pouco mais madura de entender o que ocorre comigo.
Um dos pontos mais importantes que notei em mim mesma é que sou extremamente sociável e eu preciso sair e ver as pessoas que me são queridas para me sentir bem. Já tinha ouvido isso anteriormente, mas agora pude perceber na própria pele como o meu humor e o meu dia podem mudar completamente quando interajo socialmente, me expresso, escuto as pessoas e saio para viver mesmo que poucas horas do dia ao ar livre. Eu já sabia que passarinho engaiolado não canta de alegria, mas agora isso faz completo sentido para mim.
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O poder da intuição

Intuição é uma sugestão sutil em nossa mente que geralmente indica uma direção a ser tomada.
A intuição é muitas vezes negligenciada por ir na direção oposta aos nossos desejos e planos. Com frequência ela nos chega para apontar uma maneira mais segura de efetuar uma operação ou mesmo para dizer que devemos parar em casa por alguns minutos antes de irmos ao trabalho. Não podemos culpar as pessoas por não ouvirem a sua intuição, pois muitas vezes é difícil reconhece-la. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Feliz ano novo, feliz ano velho

Toda transição é difícil. Ainda lembro dos meus últimos meses antes de viajar, parecia como se eu estivesse trancada dentro de um liquidificador de emoções. Mas lá fui eu com duas malas, uma mochila e um urso de pelúcia. Os primeiros dias foram difíceis... ou melhor, os primeiros dois meses pode-se dizer. Até que de repente eu me vi completamente adaptada à cidade, conhecendo pessoas e sobrevivendo ao clima.

Depois de mais um tempo eu já não ligava tanto para o frio e comecei a viver uma das mais fabulosas experiências que já tive. Muita gente me pergunta a razão de eu gostar tanto daquela cidadezinha longe de "tudo", com um clima instável... O que me vêm em mente agora foi o dia em que eu estava numa aula sobre "Small talks" e comentando sobre a neblina densa que não nos deixava ver nem um palmo através da janela eu disse "o lugar é tão mágico que é como se o céu descesse e estivéssemos dentro das nuvens". Tudo depende do seu ponto de vista.

Cheguei a um ponto em que eu conhecia tantas pessoas que passei a recusar saídas frequentemente só para ficar em casa e poder estudar um pouco. Mas sabe outra coisa que eu adorava? Festas em casa, jantar entre amigos, ou então convidar alguém para passar em casa e ficar conversando. Eu já tinha ouvido falar que em Salvador a gente praticamente nunca vai na casa do outro, sempre se encontra pela rua, e eu descobri que é verdade. Mas é tão gostoso receber ou ser recebido em casa...

 Sempre morei em uma casa quase que sozinha já que vejo minha mãe apenas entre os curtos intervalos da manhã e da noite. Pela primeira vez morei em uma casa com mais de sete pessoas hahaha, às vezes mais, pouquíssimas vezes menos. Encontrar alguém ao acordar, ter companhia na hora de cozinhar ou no café da manhã, ter alguém esperando para comer o jantar juntos, brigar por causa da sujeira, dividir a comida, conversar no corredor. Nada disso tem preço, ainda mais quando se é acostumada a viver sozinha.

Mesmo com todos os dias nublados de uma nuvem densa e baixa que pairava sobre a cidade eu estava bem. E a alegria de poder fazer uma trilha a qualquer momento do dia? Passei horas andando em torno de lagos e na margem dos rios, que faziam pequenas cachoeiras só pra depois virarem calmos rios de novo. Me doi tanto andar por Salvador e não ter aonde andar. Não ver tantas árvores pelo caminho me machuca... Eu andava todos os dias, muitas vezes tão longas distâncias que deixava quem me conhecia surpreso. Qualquer hora, qualquer direção, de tristeza ou felicidade lá ía eu andando. Que gostoso que era sentar pertinho da árvore por onde um estreito corrego passava. Vinha desde lá de cima da montanha e fazia um barulhinho bom quando chegava lá em baixo, já perto do lago. Como era bom sentar naquela banco cheio de pássaros que vinham se alimentar dos grãos que as pessoas colocavam dentro de uma armação de metal. Vinha o pássaro grande azul, o pequeno marronzinho, o pássaro preto, todos eles sem se importar muito com a minha presença parada observando.

Eu recebia até uma quantia de dinheiro suficiente para ter uma vida extremamente confortável, mas ao contrário do esperado eu não comprava roupas, não tinha luxo, nunca tive, mas fui ao extremo e quanto mais simples eu era mais feliz eu ficava. Ninguém ou quase ninguém comentava como eu me vestia ou se eu estava morena demais ou pálida demais, ninguém perguntava porque eu não uso maquiagem, porque eu não uso perfume, sem porquês. Mas diariamente eu recebia elogios. Engraçado isso...

Eu era mais educada e isso tem me surpreendido diariamente desde que voltei. Eu não consigo ser aqui tão educada quanto eu era lá. Pedir desculpas ou por favor era tão natural quanto respirar. Ser gentil nas palavras, observar as pessoas, tudo vinha como se fossem as coisas mais banais do mundo. Eu nunca confiei muito quando andava na rua, sempre alerta a quem vinha na minha direção, mas eu não tinha tanto medo. Aqui, mesmo sem querer eu saio na rua com um espírito de violência enorme, preparada para atirar uma pedra na primeira pessoa suspeita. Mas que loucura é essa?
Não consigo ser tão gentil mesmo fazendo esforço, tá no jeito de falar, de andar, de olhar para as pessoas, no gosto amargo do medo.

Fico pensando quando vou me adaptar ou até mesmo se vou me adaptar.
Já estou bem com a temperatura e o clima. Mas e o resto? Não sei... talvez, como diz a música "Eu não vou me adaptar, não vou me adaptar..."









segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Um ano de imensidão... imensidão do mar.

Helena Matos devorando a vida.

Como sempre eu chego um pouco atrasada para contar as novidades e dessa vez não vai ser diferente.


Dia 4 de setembro completei um ano no Canadá. Um ano fora de casa sem acarajé com vatapá e aquela saladinha de tomate mal lavado vinagrete que só a baiana sabe fazer. Um ano passa tão rápido que às vezes quando ando na rua ainda me surpreendo com o fato do ônibus não levar ao meu antigo endereço. Um ano de novas e velhas experiências nas quais mesmo sem saber em que diabos eu estava me metendo posso garantir que cada segundo têm valido a pena.

Um ano em que tive oportunidade de jogar basquete (coisa que nunca imaginei já que sempre ficava no canto jogando a bola pra cima pela minha falta de destreza), posar de modelo para um concurso (pense mãe!! Tá achando que tá fraco é?! Haha), completar mais de 100 horas de trabalho voluntário, descobrir que não é que eu tenho aptidão pra dança mesmo?! Saí com meu forrozin e descobri o tango, a salsa, a dança de salão. Um ano em que sem carro, sem celular, sem tv, sem shopping de dois mil metros e sem mega eventos eu pude aproveitar as melhores trilhas, a vista mais bonita entre montanhas e oceano e as pessoas maravilhosas que cruzaram o meu caminho.

Um ano de extra esforço vez ou outra para dar conta de tudo e mais um pouco.  

Um ano de muito GPS, encontros e partidas. Porque nada é permanente, tudo é passageiro menos o motorista e o cobrador. Tudo passa. Todos passarinho. Tanta gente já falou isso... e eu aqui só repetindo.

De qualquer maneira caros amigos de longe e de perto, na esquina de casa ou do outro lado do planeta, amo vocês, se cuidem e aproveitem enquanto a música não para.



Todo viajante pede a Deus que a saudade seja doce e branda.













segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sobre as grandes pequenas coisas

Quando converso sobre problemas sociais, má distribuição de dignidade (o que inclui renda, moradia, saúde, educação, alimentação, entre outras necessidades básicas)  ou mesmo quando escuto alguém falando sobre isso sempre me deparo com o pensamento negativo, a impotência diante dos fatos.
Mas engraçado é que hoje eu estava pensando comigo mesma, como que eu posso ser tão louca para apesar de todos os argumentos não acreditar que somos impotentes?

Quem me conhece sabe que a minha mente trabalha diferente... e meu primeiro pensamento foi "eu vivo em extremos".

Quando olhamos uma foto do universo, daquelas que a NASA publica de vez em quando, temos a sensação de que tudo é apenas um monte de pontinhos e grandes nuvens coloridas. Porém, quando ampliamos, cada pequeno ponto se transforma em uma galáxia ou no mínimo em uma complexa formação estelar.

O que eu quero dizer é que tudo depende do ponto de vista.

De um pequeno ponto na foto à uma galáxia, de uma galáxia à um conjunto de matérias, cada matéria composta de pequenos pontos.


...Cada ponto compõe seu próprio universo. 

Da mesma forma quando vejo a minha foto, daquelas que publicamos no Facebook de vez em quando, tenho a sensação de que sou diferente dos outros, mais especial, ou mesmo quem sabe, que o meu sorriso é o mais importante. Quando vejo a foto por algum motivo eu me destaco aos meus próprios olhos.
Mas será que isso pode ser verdade se quando tenho fome eu me sinto mal como qualquer outro, se quando estou doente fico vulnerável e não tenho forças, se quando sinto tristeza as lágrimas caem salgadas e fazem o mesmo caminho para todos.

O desejo de ser especial e melhor é o que nos limita quando pensamos em distribuição de dignidade.

A impotência que sentimos ao falar das "questões sociais" ao meu ponto de vista vai muito mais além do fato de que sempre esperamos a GRANDE mudança, a MAJESTOSA transformação que alguém em algum lugar desconhecido com um grupo de pessoas que ninguém também conhece irá fazer.
A impotência vem do fato de que nós não queremos ser vistos como iguais.

Eu sou igual ao doente no corredor do hospital.
Eu sou igual ao pedinte nas ruas.
Eu sou igual a prostituta.
Eu sou igual ao ladrão.
Eu sou igual a criança que dorme ao relento.
Eu sou igual àquele que busca comida no lixo.
A minha fome é igual, a minha carência é igual, a doença é igual, o meu desejo de ser especial é igual.

A impotência vêm do sentimento de que nós não queremos mudar. Nós pensamos que pode ser legar a distribuição de dignidade, mas nada mais.

A sociedade é o pequeno ponto do universo na foto, quando ampliada vemos os vários pequenos pontos compostos por mim e por você.

Cada vez que penso sobre isso chego a conclusão que a solução vai além das questões políticas e dessa propaganda toda que vemos na TV. É tudo muito mais relacionado ao nosso pensamento egoísta de querer mostrar-se melhor que os outros.
Se toda vez que EU me deparar com o meu igual eu tiver uma atitude de respeito à sua dignidade a vida vai se tornar melhor ainda que em um pequenino círculo de pessoas.
Das minhas frases prediletas para terminar o texto "melhor pouco do que nada, e antes tarde que mais tarde.".








sábado, 9 de maio de 2015

De onde foi que eu vim?

De onde eu vim?
Por que eu não me enquadro no padrão normal das pessoas?
Por que eu tenho que ser assim tão...tão... louca?

Me pergunto sempre essas questões.

Por que eu tenho que amar demais?

Estava lendo um artigo sobre uma sequência de genes presentes em pessoas que relatam sentimentos exacerbados. Eu aposto que tenho isso. Mas não é exatamente sobre mim que quero falar hoje, quero falar da minha percepção das pessoas.

Tenho amado alguém que em um mísero fim de semana me deixou por outra pessoa. Alguém que é doente, Alguém que muda de humor como as nuvens mudam de posição. Alguém que sabe como pirraçar. Alguém que esconde de mim o seu destino. Que me faz ficar preocupada e com raiva de mim mesma. Alguém que é um dos meus melhores amigos. Alguém que é doce e amargo com fel.
Alguém que eu amo com todas as forças e odeio de vez em quando. Alguém que me decepciona.
Tanta gente no mundo e aonde é que eu fui parar?!
Aonde é que eu sempre vou parar...

Insisto em dizer que o problema deve ser comigo, não devo entender a realidade dos fatos ou simplesmente escolho a pessoa "errada".

De onde eu vim por alguma razão existiam as palavras confiança, afeto, compromisso, sinceridade.

Lembro de uma vez que eu estava trabalhando numa lojinha e eles tinham imãs de geladeira com algumas dessas palavras. Um dia uma garota entrou, pegou um dos imãs e perguntou pra mim Mas o que é afeto? O que é compaixão? Naquela hora eu sabia que havia algo de errado, tentei explicar com pouco sucesso. No fim só posso dizer que muita gente cresce sem saber o significado dessas palavras e sai errante tentando viver o que chamamos de vida.

Por que eu não deixei a minha pessoa amada para trás? Por que eu simplesmente não esqueço e corto contato?
Sinceramente, minha resposta é porque eu sou maluca mesmo, mas eu lá tenho minhas razões pra isso.
Mantenho uma relação de amizade que nutre o afeto e que cuida mutuamente para que ambas as partes fiquem bem. Vai que essa pessoa também não conhece o significado de tudo isso. Na pior das razões mora o fato de que eu aprendo muito sobre o ser humano lidando com essas espécimes raras.







quarta-feira, 1 de abril de 2015

Não há dinheiro que pague o valor das experiências que tenho...

Desde de que cheguei ao Canadá tenho vivido uma vida frenética com o objetivo de viver a maior possibilidade de experiências possíveis, me envolver com a vida na Universidade, criar laços de amizades, e observar quase que como em um laboratório os efeitos disso tudo em mim. Tenho aprendido muito e espero conseguir expressar um pouco nesse texto.

Take your time.
Uma das primeiras coisas que aprendi aqui foi a ter mais paciência comigo mesma. Não é todo dia que o inglês é perfeito e eu entendo/falo/escrevo sem dificuldades, que eu sei fazer o que me é requisitado, ou mesmo como lidar com minhas expectativas em mim mesma. Para ter mais paciência comigo mesma comecei a respirar mais, sentar no banquinho do balanço no caminho de casa (tem um parquinho aqui entre onde moro e a universidade) e refletir sobre o que está ocorrendo. O que me deixa aflita? Como isso começou? Quais as possíveis soluções? Como eu posso melhorar a situação em que estou? Como eu posso me ajudar? Para quem eu posso pedir auxílio?
Essa e muitas outras perguntas me servem de guia para que ao meu tempo eu tenha uma maior compreensão sobre o que está acontecendo.

Diversity
Outro dia durante uma palestra ouvi que na Universidade que estou existem pessoas de mais de cem países diferentes. Apesar de toda a diversidade cultural aqui é um dos lugares mais harmônicos que já vi, e não é por coincidência que isso acontece. Eles trabalham muito para quebrar as barreiras, para que encontremos nossas similaridades e possamos aceitar (não necessariamente concordar) as diferenças. Inúmeras são as situações em que trabalhamos isso, por exemplo, grupos de discussão, palestras e eventos aqui visam mostrar a sua cultura, falar sobre as tradições que começam no simples cumprimento até os conflitos sociais. Não sei se me atrevo a dizer que o meu olhar naturalmente é minimalista para as diferenças, mesmo antes de vir para cá eu já sabia disso. Isso significa que eu maximizo as similaridades e minimizo as diferenças. Atualmente tenho trabalhado para ver as similaridades e apreciar as diferenças, até porque são elas o tempero da vida.

If you don't like the weather now wait five minutes and everything will change.
Newfoundland and Labrador, especificamente St. John's tem uma variedade climática absurda. No mesmo dia pode fazer um lindo céu ensolarado, chuva, neve, granizo e um lindo céu novamente.
Aprendi a realmente apreciar o dia de sol e a noite estrelada, a me preparar para qualquer situação, sair de manhã cedo e independente das condições climáticas chegar no horário e aproveitar o dia. Você descobre que clima não é desculpa para atraso.  
No fim das contas eu até gosto (haha) e vou andando para qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer clima.

Go out of your box
Sair da sua zona de conforto vai além de acordar cedo e dormir tarde, levar a comida na mochila para um dia inteiro ou carregar um par extra de sapato. Significa sair da zona conhecida, ir além do que você aprendeu no estudos, iniciar uma conversa e estar aberto para os diversos pontos de vista que surgirão. É ser criativo e entender que linhas vindas de diferentes direções podem conectar os mesmos pontos.

Yeah by
Nem tudo faz sentido. Nem tudo para ser entendido precisa fazer sentido.
Mas se você buscar no fundo do tacho e traçar a história das pessoas/lugares/etc você pode achar alguma conexão no final.

Practice
Depois de um tempo comecei a perceber que a minha melhora no inglês estagnou ou começou a ser mais lenta por mais que eu me esforçasse praticando e conversando. Apesar do português ser a minha primeira língua parei um pouco para pensar como eu me tornei "proficiente em português" e como foi que me tornei apta para entender e falar com um vocabulário razoavelmente extenso. Lembrei da minha infância e percebi que por vários anos eu fui uma leitora ávida de gibis e paradidáticos à romances mais refinados. Ler mais foi a resposta que encontrei e aparentemente tem funcionado.

Training
Se você estiver aberto a aprender saiba que eles estão abertos a ensinar. Para tudo (ou praticamente tudo) eu consigo achar uma palestra ou workshop de graça aqui. De um simples gesto de gentileza ao manter a porta aberta para o próximo a como se comportar em um jantar formal, como procurar emprego, o que fazer em uma entrevista ou como escrever um currículo, como lidar com estresse, como lidar com diferenças culturais, como fazer amigos, e a lista só cresce!
Acho que é isso uma das coisas que falta na minha cidade. Mais instrução, mais treinamento, mais conhecimento partilhado. A cada lacuna percebida eles oferecem uma oportunidade de aprendizado.

Carpe diem
Aprendendo a dar valor a cada dia e a cada amizade construída mesmo com a certeza de que tudo é passageiro. Reconhecer a momentaneidade da vida e apreciar o hoje.

Independence 
Um simples exemplo de como isso funciona. Em um restaurante uma criança com dificuldades de amarrar o cadarço esperneia para a mãe ajudar. A família sentada na mesa simplesmente olha e explica que ela pode fazer por ela mesma. A criança amarra o cadarço sem ajuda e recebe um parabéns com aplausos pelo bom trabalho.






sexta-feira, 6 de março de 2015

Esperar... Esperança.


Lá vai ela de novo…
Qual será o seu problema dessa vez?
Qual a nova desculpa?
Qual o seu real medo?

Ela vai andando, mexendo com seus botões em meio a delírios de uma noite qualquer. Alimentando sonhos que não aconteceram, lamentando amores de cristal e saudosas amizades esquecidas.
Lá vai ela andando no presente com a cabeça no passado ou quem sabe no futuro.
Agenda o novo dia sem mesmo saber que dia é hoje. Longa escala de atividades que direcionam ao esquecimento de si mesma.
Lá vai ela de novo… mexendo seus quadris, roubando corações.
O medo do compromisso a faz arredia a todo sorriso demorado, a cada beijo, a cada passo.
Espera a escolha do coração atrás do passo de desconfiança.
Lá vai ela achando que ficara só o resto da vida para percorrer o mundo.
E ela vai cheia de sonhos, fazendo do medo a coragem.

Presa em si mesma não sabe diferenciar os rostos na rua do seu reflexo no espelho.

De quem serão aquelas doces palavras que lhe farão ficar?
Quem descobrirá que entre ela e o coração existe uma pista de obstáculos e que entre dois corpos e o prazer há uma lacuna dificilmente preenchida?

Lá vai ela de novo esperar alguém que aceite só um sorvete pra brincar de flerte e de criar raízes.





sábado, 31 de janeiro de 2015

Reset

Então quer dizer que aquilo tudo foi medo...

Medo de sofrer
Medo de amar


... Medo de confiar de novo.

Quer dizer que você reseta suas emoções.

Tudo por causa do medo.


Confia, minha filha. Confia e segue em frente.

A warm heart can make a sunshine even at Canada.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Une fleur unique au monde...


Two specials things for today: First post of 2015 and I am writing in English in my blog for the first time hahaha.

There are some few things that I want to write but I am not sure if they will be clearly understood.

First, the time is in a rush this year.
I just blinked my eyes for few seconds and January is done. I couldn’t breathe or even sleep but this month was a source of situations that provided to me different emotions, understandings/misunderstandings, and expansion of consciousness with/out meditation.  

Second, I am an expert now to see patterns everywhere, everyone.
My memory started to analyze it all time, such as my thoughts, the way that I treat people and they treated me, my actions, how my body reacts in some situations, and my non actions. The interesting fact is: I am getting used to do it.
I cannot know if the patterns happen because I’m not changing or people who I am related have a very similar behavior or life is just it and the problem is with me not with them.
Can I say that I am too serious? Yes… I have been seen this behavior in myself. Too serious to understand that sometimes the best thing to do is do not give so much attention for jokes that can hurt me. Too serious for just let it go.

Third, I am writing in my thoughts since last year.
… I made a list with all important notes in my mind about you; all of them are just my perceptions, but sometimes the correlation with the reality is so high that scared me.  

Maybe I am a non common human being, too crazy to be like this. For example, I am practicing since I was a child how to avoid prejudice and how to manage my thoughts in a way to direct my view to the most embracing and flexible possible point.
Now I am learning how to do it with integrity; linking my believed thoughts and the freedom to accept others points of view.




I am learning every single day how to be better than yesterday.




domingo, 23 de novembro de 2014

Mudanças e aprendizados

Faz um longo tempo que não escrevo para o blog, aproximadamente sete meses, e nesse período tanta coisa aconteceu... Vou resumir os principais acontecimentos.

Voltei a sentir meu coração quente e emotivo. Um sopro de esperança e confiança se entrelaçou pelas artérias.
Aprendi a viver cada dia. Ainda não estou muito boa nisso, mas tento aprimorar essa técnica. Vivi um ano contado nos dedos e agora tenho mais um ano e quatro meses em contagem regressiva. Cada dia é único quando você tem consciência de que pode não haver outra chance novamente.
Nesse período tenho aprendido a ser mais carinhosa, mostrar meus sentimentos e intervir com meus pensamentos quando acho necessário.
Tenho valorizado mais a companhia das pessoas.
Da primeira vez que entrei na aula de dança além de ter conhecidos pessoas maravilhosas descobri que dançar faz mágica com o humor.
Agora, depois de uma pausa de quase seis meses, entrei nas aulas de tango e estou aprendendo a ter auto confiança, resistência e liberdade de criação.
Tenho caminhado muito para extravasar minhas emoções.
As vezes você não precisa saber muitas coisas profundamente, mas é bom conhecer um pouco de cada, ajuda a fazer boas escolhas.
Descobri que eu consigo encarar diferenças com uma naturalidade fora do normal.
Eu realmente odeio quando pessoas falam mal de outras perto de mim.
Eu consigo viver bem em cidades pequenas.
Fiz uma lista duas vezes para os anjos com algumas pedidos e eles tem me ajudado...na verdade, acho que foram mais que duas rsrs. Tenho observado que sempre que pergunto algo a Deus ou ao Universo ele me responde.

Conhecer uma nova língua significa se conectar com pessoas. Quando eu iniciei meus estudos em língua estrangeira não sabia ao certo o motivo, dei algumas desculpas e simplesmente fui para as aulas, mas agora eu tenho minhas respostas rs. Falar uma nova língua significa mais que uma oportunidade a mais de trabalho, significa vínculo, laço, amizade.

Por último, mas não menos importante, dia 03 de setembro eu saí do Brasil para o Canadá com expectativa de retorno apenas em dezembro de 2015.
Duas malas, uma mochila, um leão de pelúcia e uma lista de dúvidas. Saí com mais dúvidas que certezas, mas por cima do medo a coragem.
Uma lista de perguntas sobre mim mesma, sobre o mundo em que vivo e o que significa viver essa vida de meu Deus. Saí para ver o novo e talvez reformular as perguntas, descartar algumas, fazer novas perguntas. Bem, resposta que é bom tá difícil rsrs.

Nesse período eu descobri que felicidade é... estar com quem você ama. Nada mais. 

Dependendo do dia saudade pode ser doce ou amarga rs.
Doce quando você lembra o que ocorreu.
Amarga quando você imagina o que você poderia ter feito para melhorar ainda mais aqueles dias.

Conselho do dia:
Feche os olhos. Pense em alguém que você gosta muito e em como você gostaria de cuidar dessa pessoa. Como você falaria com ela quando quisesse reclamar de algo, o que você faria quando essa pessoa sentisse frio ou ficasse triste. Pense no que você gostaria de cozinhar para essa pessoa no almoço. Para onde você levaria ela para passear. Abra os olhos.

Cuide de você mesmo como você cuidaria da pessoa que você mais quer bem 
e veja a mágica se realizar.











See you later...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Eu quero a espada em minhas mãos..."

Tenho procurado um caminho novo, uma forma de vida que saia desses padrões de escravidão informal.

Eu quero minha alforria e por ela luto no escuro com o cotidiano... Eu sei que há até uma certa liberdade fictícia, mas não dá mais para viver nessa prisão social.


Lutamos no escuro.
Estamos presos no escuro.

Escravos de uma vida erguida em padrões antigos. 
Escravos do século XXI.

Mas tudo passa. 
Tudo passará.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mas é que toca a minha vida na cifra da canção...

Toca Legião Urbana!
Toca a minha vida em suas canções. Toca o meu coração.


Durante toda nossa vida ou enquanto estivermos conectados ao nosso coração passamos por crises. Crises internas, de relacionamento, familiares, espirituais, crises em todas as situações e não adianta dizer chega. Momentos em que estar nesse planeta azul em meio a tantos conflitos nos deixa sem ar. Desejamos viver sem ao menos sabermos o que isso significa realmente, desejamos diariamente algo novo que nos complete. O trabalho dos sonhos, a família do comercial de margarina, o marido dos contos de fadas, o carro com IPI reduzido, e dentre tantas fantasias a realidade se transforma no pão que o diabo amassou. Como podemos ser tão bem adestrados? Como pode termos de acordar as quatro e dormir as onze para ganhar o dinheiro que vai pagar as contas de coisas supérfluas e que não são realmente necessárias para termos uma vida plena de satisfação e, talvez, alegria.
Quem foi esse que instituiu a miséria de espírito no cotidiano das pessoas? A frieza, o desanimo, o desprezo pelo sentimento dos outros diante da nossa rotina pesada de afazeres que não nos levam a lugar nenhum, a menos que o seu interesse seja acumular dinheiro. Mas e se você quiser crescer como pessoa? Não é o mesmo que crescer na empresa ou passar na pós graduação, o que eu quero dizer é,  e se você quiser ser uma pessoa mais madura emocionalmente, enfrentar seus medos e fraquezas, e se no fundo o seu desejo for uma vida confortável com a natureza, aprender a respeitar o outro?
E se o que falta na sua vida não for aquela roupa nova, mas sim uma conversa em pratos limpos? Um abraço repleto de reconciliação ou o perdão?

Oremos, porque nada disso se compra com dinheiro! Mas se pode construir dia a dia um caminho de positividade que nos leva a enxergar um espaço para nós nesse mundo, existe um caminho que nos faz reconhecer que somos especiais e fazemos a diferença. Eu o chamo de autoconhecimento, o caminho que percorremos para dentro de nós mesmos. Ele é escuro e incerto, mas só assim saberemos quem é aquele que vemos refletido no espelho.




terça-feira, 18 de março de 2014

Sorrisos

 Sorria 


Vale a pena


Ser feliz



Sobre a monotonia de todo dia

Não sei se é porque sou de aquário ou porque Marte está passando pelo meu ascendente, se é um problema meu ou de todo mundo, mas a monotonia de todo dia me tira as forças, apaga o meu sorriso e embaça a minha visão.
Meu Deus, é isso mesmo? Só pode ser brincadeira... Não que eu queira pular de um avião ou viver perigosamente por aí, até mesmo porque isso se vê todo dia, você pode ir comprar pão e no meio do caminho se sentir num campo de guerra. O que sinto falta é de um pouco de brilho com toda essa rotina, formalidades e falsas exigências.
Falta a exuberância de sermos nós mesmos por aí, a sinceridade nos sorrisos dados por obrigação, a honestidade e respeito na hierarquia nem sempre necessária, a educação de um bom dia, o compromisso no entrelaçar das mãos. Faltam mais árvores e flores, mais animais, menos trânsito e horas perdidas no engarrafamento.
Faltam seres humanos, pois excedemos no número de seres funcionando no controle automático.


Eu quero a chance de viver extravagantemente feliz.

Sete vidas ou mais

 Da primeira vez que morri não lembro mais quantos anos eu tinha a única coisa que me recordo é de que uma tristeza muito grande me invadiu e congelou uma parte do meu coração.

Da segunda vez que morri acho que já estava com dezessete anos, foi quando me separei de pessoas queridas e as conversas acabaram. O silêncio invadiu o meu coração e eu me vi comigo mesma.

Da terceira vez que morri eu ainda estava aqui, mas a perspectiva de separação era iminente e já trazia a sintomatologia da minha morte. Uma saudade invadiu o meu coração. As lembranças, os desejos e até o perdão bateram em minha porta.

Deveríamos morrer conscientemente diversas vezes na vida para nos darmos conta de que todos os momentos são únicos, para vivermos intensamente os nossos sonhos, para revisarmos o que fizemos ao invés de empurrarmos apenas com a barriga. É na véspera da morte que tomamos consciência de nós mesmos. Valeu a pena? Eu fiz aquilo que eu gostaria de ter feito? O que eu deveria ter dito foi dito? Por que não conversei mais vezes com aqueles a quem amei? Por que não amei mais? Não ajudei mais? Não vivi mais?!


Celebremos então a morte nossa de cada dia, uma das poucas maneiras de encararmos o destino que estamos dando a nossas vidas, aquilo que nos dá a chance de acordar no dia seguinte e fazer o mesmo, ou quem sabe diferente
.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Pensamentos da madrugada

Falamos dos outros aquilo que reconhecemos em nós. 
Se você maldiz o outro é porque somente reconhece suas próprias deficiências. Se você bendiz o outro é porque vê refletida sua melhor face.
Reconhecemos somente aquilo que nos é conhecido.
Se não julgarmos o outro, mas sim o entendermos, compreendendo e auxiliando em seu crescimento pessoal então estamos também progredindo em nossa caminhada.






Sobre o acaso, desenhos e coisas não tão aleatórias

Quatro paredes, uma janela sempre aberta e uma porta cor laranja berrante. Na janela cactos, na porta fitas do Senhor do Bonfim e contra a homofobia, na parede papeis e telas pintadas por mim e um desenho achado no lixo.

A parede de um quarto revela mais sobre a vida e personalidade do que muita biografia escrita por aí.

Duas fotos de criança tiradas em momentos distintos retratam o sorriso forçado para os contratos sociais, os olhos de quem quer brincar ao invés de tirar foto. Duas telas foram feitas em dias tranquilos de curiosidade e tentativa sem muito sucesso de fazer um desenho exemplar. Ambos em azul, verde e amarelo, mas sem ser a bandeira do Brasil. A última tela pintada por mim traz a raiva e a tristeza do fracasso, a luta contra a constante necessidade de vitória sempre e o meu mundo em guerra. Tempos difíceis, mas que valeram cada segundo em uma tela de 15 por 20. Há também uma colagem feita em papel ofício que quase infantilmente apresenta uma xícara navegando no mar tendo ao fundo um por do sol laranja vibrante. A xícara tem uma longa história, se não me engano já contei aqui no blog há uns anos. Se trata de um barco que leva um monstro solitário pela imensidão do mar. A xícara vai e vem ao sabor do vento, mas o monstro nada pode determinar por não ter forças para guiar o barco. Quando ela segue a correnteza e se aproxima de uma praia com habitantes o monstro se assusta e teme ver outras pessoas... Uma longa história.
O desenho do lixo é um dos mais bonitos, triste e feito com uma tinta preta aguada em papel branco.
Na outra parede há desenhos recortados e um painel.
Quem diria que um dia eu veria o significado de papéis colados ao acaso em épocas diferentes e que ainda hoje representam a decoração de minha vida.
O painel mostra o sistema solar, meu amado e desejado conhecimento pela astronomia, física e abstrações sobre o universo. Veio junto com uma revista, não tem o desenho de Plutão, mas a legenda com um resumo dos planetas faz valer a pena.
Uma reprodução de G. Doré de uma fábula de La Fontaine (O pastor e o mar) segue colada logo abaixo. O pastor, as ovelhas e um clarão do céu me fazem pensar nessa busca por Deus...
Outra feita por um autor que não lembro mais mostra o mar azul bonito com suas ondas a colidir em uma pedra. Por fim, um cordel e a foto de uma xilogravura, céu nublado, cenário escuro e uma pessoa a andar com um guarda chuva que lembra uma maçã.


Escancarada estou nas paredes do quarto, livro aberto escrito em idioma desconhecido.



Desenho aleatório...ou não. 

É um ato de coragem seguir o coração.

É um ato de coragem seguir o coração.

“Segue minha filha. Vai!”

Há dias que não escrevo, apenas vivo, leio e penso. Hoje resolvi que faria algo a mais, iria sentir. Terminei algumas páginas do livro e como sempre não tive condições de seguir em frente, a mente chegou ao ponto exato em que precisava parar e se recompor.
Fechei a porta. Desliguei as luzes. Deitei e achei que havia me perdido. Me perdi em pensamentos, dores no corpo e respiração entrecortada. Estratifiquei o corpo e relaxei apenas tentando respirar e me observando. Não conseguia respirar com as duas narinas. Apertei o nariz, inspirei e expirei, depois de muitas tentativas reconheci  que não sei como fazer isso direito. Depois de um tempo funcionou, mas não entendo como posso fazer algo a minha vida inteira e ainda assim não fazer bem. Talvez, por quase nunca prestar atenção...
(...) Senti o coração pulsar e o jorro de sangue vivo que corre em meu corpo, senti o corpo inerte e de olhos fechados via medo em mim. Tive medo de mim, de tomar consciência e ser, medo do desconhecido, das ondas que preenchem o meu corpo e se movem quando paro.
O coração acelerava estando eu parada e com o pensamento sendo observado por mim. Receio do quê? Medo por quê?
Tudo passa, tudo esvai, tudo flui.
Não sei explicar nem muito menos vou me esforçar por fazê-lo, simplesmente senti que não sentia nada. Ao ponto que poderia estar deitada, em pé ou de cabeça para baixo, tanto faz no caos ordenado do universo.
Tive medo e voltei. Seguir o coração é um ato de coragem, é um esforço diário, é lutar contra o oponente mais forte, lutar contra você mesmo e ir. Levar o outro é fácil, seguir a trilha do outro é simples, difícil é trilhar e colocar as pedras no caminho. Construir o caminho. Dar o primeiro passo. Vencer a adrenalina que imobiliza e ordena que fuja. Difícil é desapegar em meio a tantos apelos. Mas nada é tão difícil que não possa ser simples, porque a complexidade mora no raciocínio humano.
O auge da complexidade na verdade é o limite da abstração humana, pois na verdade, em suma, há apenas simplicidade no universo.
(...)
Escrevo para não vomitar, para aguentar o vendaval que abala os meus alicerces vazios construídos em areia movediça, repletos de insegurança e medo daquilo que desconheço, conheço ou reconheço, pilares que afastam o meu coração dos meus sonhos.
Quebrá-los-ei. Afogá-los-ei. Sobreviverei.
Escrevo para tomar consciência dos pensamentos. Me fortificar reconhecendo as fraquezas.
Tudo passa tudo muda. O mistério é viver no presente, ser e estar presente.


O mistério é ser e estar.




Borboleteando...