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sábado, 2 de novembro de 2013

Diário de bordo

Considerações iniciais
Já faz um tempo que venho me preparando para os dias atuais, mas ainda assim a cada amanhecer eu me arrumo e repasso os preparativos. Durante o dia às vezes paro e sento sozinha para relembrá-los, e só no final me sinto livre e com a sensação de missão cumprida.
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Terceiro dia de viagem, já é noite e eu posso dizer com propriedade que em 72 horas eu vi mais do que muita gente conseguiu ver em um mês. Provavelmente esse é um dos pontos positivos de se estar só, pode-se caminhar a vontade e na velocidade que achar necessário, se perder é uma alegria e abertura de caminhos para novas descobertas.
Conheci pessoas simples e interessantes, espiritualmente ativas, e superficialmente consegui observar algumas peculiaridades ao meu redor.

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Da primeira vez que vi a cidade me arrependi em pensamento por não portar um guarda-chuva, pois ao longe eu já conseguia ver uma nuvem negra cobrindo grande parte do céu. Para minha surpresa era somente poluição, densa sujeira aérea invadindo nossas narinas. Mais assustador que muito filme.
Consegui intuitivamente e depois de muito explorar a funcionária do posto de informações descobrir o melhor trajeto para realizar em um dia de visita.
Corri disfarçando o meu desconhecimento e me deixei levar pela coragem e multidão sabendo que no final encontraria o tão almejado metrô.
Subi, desci, olhei e me assustei novamente.
A cidade parecia estar sendo estuprada pelos visitantes, uma leva enorme de turistas em busca de facilidades, oportunidades e preço baixo invadiam as ruas e os meios de transporte da cidade. Todos em busca de produtos tão baratos que ao meu ver só podem alimentar o trabalho de semi-escravidão que nos submetemos hoje. Mas quem quer saber?
Desci, subi, desci e me compadeci.
A luz do Sol se embrenhava entre a poluição, mas aparecia gloriosa através do céu, seu calor irradiava ao meu redor, mas as pessoas continuavam sentindo frio. Casacos e roupas e botas e cachecol e frio e frio e frio no calor. Por instantes pensei em parar alguém para perguntar se era uma lei sentir frio na cidade, mas não fiz isso, seria ridículo demais. Conclui que as pessoas padecem de frio interior, já que estão imersas em tamanho cansaço, tristeza e solidão. Submergiram a ponto de se afogar e previamente já se vestem de preto em luto pelo eu interior perdido. Luto ao esquecimento de si.
Andam em luto pela falta de amor ou em sua incansável busca... ou quem sabe a espera de um renascimento.
Subi, desci e me perdi.
Me perdi no estilo da cidade, entre gótico, neoclássico e um quase raro rococó, me apaixonei e ao mesmo tempo repudiei a imagem da cidade. Lindamente gótica, e em seu esplendor a vivacidade da tristeza. Mas que contradição! Quanto mais bela mais triste se faz.
Lindamente enlouquecedora.
Desci, subi e me encontrei.
Em um centro de arte sacra e um bairro oriental encontrei as cores e uma tranquilidade constante. Seria o oásis? Não sei... e continuarei sem saber.

Subi e voltei ao meu mudo de aventuras pitorescas.

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Engraçado, mas só agora entendi uma exposição que vi no museu. Era o retrato da cidade... em sua inconstância, desespero e anseia pelo que ainda não viveu, o autor me mostrou sem eu nem desconfiar aquilo que aguarda aos que mergulham e não voltam mais à superfície das boas energias.


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Para viver feliz é preciso ser e estar.




terça-feira, 2 de dezembro de 2008

..Tenha paciência comigo...

Quando fico nervosa meu coração pára de bater e eu sinto um frio se alastrando pelo meu corpo a partir do peito.

Tenho a cabeça borbulhando de idéias. Qual delas irá nascer primeiro?

Minha cabeça dói e ferve como uma panela de pressão.

Não sou boa em esboços. Quero todas as idéias na rua de uma vez por todas.

Minha mente trabalha sozinha fazendo coisas que eu não consigo acompanhar. O que eu sou, meu deus?


Faz frio no meu coração.


Nada aqui faz sentido pleno, mas como chegar a plenitude sem o caos absoluto?

Estou me afogando aos poucos nesse imenso mar em que estou submersa.

Não quero que me salvem. Se essa for a única vez em que estarei assim, prefiro morrer antes do fim do mundo, pois nada mais fará sentido.

É difícil de entender aquilo que ainda não se conhece dentro de você.

Sabe, eu tive algumas idéias e elas foram a causa desse meu desespero e de toda a minha dor.
De um momento pra outro imaginei você me matando. Não tive coragem de perguntar se algum dia isso já passou pela sua cabeça (até porque falávamos de trivialidades do cotidiano).
Pensei em ligar isso com o sonho que tive, pode ser até fixação minha como tantas outras vezes, mas quero acreditar que isso seja algo mais.
Nada sai de sua cabeça se não houver motivos para o despertar.
Dependendo do dia e da hora em que lê isso, talvez não faça idéia sobre o que estou falando, nem eu mesma sei, mas isso irá se esclarecer em breve, apenas espero que não tenha um desfecho trágico e sem graça.

Está ventando hoje também.

O vento espalha as sementes e concentra as dimensões. As dimensões paralelas entre sonhos, vidas passadas e o que chamamos de real.
Eu ainda vou encontrá-lo, mesmo que seja dentro dos meus sonhos.
Não pode acabar sem ter ao menos começado, vou buscá-lo com minhas forças dentro de mim aonde quer que ele esteja.


...eu vou te contar o que há aqui...mas me faltam palavras...


Esses tempos reparei que fugindo de todos os padrões que estabeleci eu uso o blog como um diário de viagem.

Até onde eu irei?
Até onde você irá comigo? .

[dessa vez as pequenas frases que acompanham o início e o fim dos textos viraram o próprio.]