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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Para tudo há uma continuação... [2]


Havia um coração deitado na cama. Solitário, ele refletia os raios de sol.






Andava em torno da menina que catava qualquer coisa pelo chão, pulou em alguns galhos da árvore até se encontrar tão alto que não sabia mais como descer miando por se molhar com aquela água suave que pairava no ar dançando enquanto caia.

A garota se pendurou e subiu ao seu encalço, meio entorpecida agarrou o gato com uma mão para não despencar, não iria quebrar mais que alguns ossos. Abraçou o gato e sentou no galho para descansar da escalada. Dali de cima o muro parecia suspenso, mas não passava de mera ilusão, era como uma extensão das pedras que formavam o paredão.

Arrastou-se até a ponta do galho para ver mais de perto a obra-prima daquela natureza. O vento rajou forte e as árvores balançaram freneticamente. Se agarrou com as pernas e o único braço que restava, o gato lhe arranhava os ombros e o rosto tentando se segurar.


Ao cair da árvore vi uma criatura entre as fissuras da pedra, não via melhor porque tinha o gato em minha frente, mas uma flor brotava de sua boca mesmo não sendo planta e com o vento a ouvi sussurrar para mim ‘a magia se desfaz em um copo d’água’.


Caíram no lago.



Se alguém entendeu alguma coisa é porque na verdade não entendeu nada.


-Continuação do Post do dia 21/01/09-

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Para tudo há uma continuação...

Continuação do post de 8/12/2008 :]

Quando se quer esquecer fica mais fácil lembrar...

Se arrastando entre as pedras pela margem do rio a lesma se encolhia ao pressentir os passos, levantava vez ou outra sua antena para se defender talvez, um gato passou por ela e por pouco não a esmagou, após o perigo se afastar se desenrolou aproximando-se mais das folhas que beiravam o rio, ficou ali sossegada, admirando, quem sabe, a menina que já ia longe junto com o gato.

De todos os lugares da mata se ouvia um som gostoso, como o farfalhar da grama misturado ao bater de asas dos pássaros, o som dos pés por cima das folhas secas entravam no ritmo da música que pairava no ar.
Andava simplesmente por não ter nada a fazer naquele lugar sem pé nem cabeça no qual tinha ido parar. O gato agora fazia companhia, não saberia dizer o motivo, mas sua presença fortalecia minhas lembranças ao contrário do som que me entorpecia e fazia o rio exalar um cheiro de maresia.

Parei em frente a uma queda d’água. Suspenso em pleno ar havia um muro cheio de limo, uma visão estranha, como se ali o tempo tivesse parado no exato momento em que o muro caia – cair de onde? Acima eu só via o céu, aquele mesmo céu.


Fácil pensar que as flores são bonitas ao desabrochar e que ganham exuberância quando estão em sua plenitude, raro é ver como são belas enquanto murcham.

domingo, 13 de julho de 2008



...pensamentos me perseguem e uivam nos meus ouvidos...




Era um campo de batalha.



Pessoas armadas das mais variadas formas e bichos se desfazendo e surgindo do nada apareciam em todo o local.



Fiquei apenas sentada olhando o andamento da situação.


Um uivo ou talvez um grunhido se fez presente, todos correram para suas posições. Fui em direção aonde havia um arco, ela estava ali. Me abaixei ao seu lado e apenas ouvia sua respiração, cada vez mais forte e seu suor frio escorrendo pela testa.
Outra vez o barulho. Agora todos se mantinham em posição de ataque, vários seres surgiram entre as pedras, levantei um pouco para ver o que viria e para minha não tão grande surpresa homens iguais ao que estavam no pomar apareciam por entre as nuvens, atrás deles outros voavam encima de alguns aviões que mais pareciam de papel, armaduras vermelhas vinham pela terra. Nunca havia visto algo como aquilo, talvez pudesse comparar com um mar, um mar vermelho talvez numa maré de março.



Levantaram as armas. Apontaram os rifles. Direcionaram os bichos voadores com suas caras aterrorizantes e suas caldas de pavão plenamente abertas formando um ângulo com o vento que fazia com que o vôo fosse mais suave e preciso.



Ela calibrou sua arma, mas qualquer um poderia ver que não teria nem mesmo comparação um rifle 028 e uma pistola D 686 que pelo visto era o mais comum no outro lado da batalha.
Ouvi o som de tremores, tremores do coração, e tiros foram disparados. Agora as pedras não ajudavam tanto assim na camuflagem, atrapalhavam o deslocamento dos animais. Tirou o arco e flecha junto com grande parte dos que estavam ali e como uma coreografia todos prepararam e dispararam ao mesmo tempo. Uma chuva de flechas percorria o céu, poucas acertaram os alvos, mas não era o suficiente. Eles estavam chegando perto, o massacre não iria demorar.



Pela terra a maré vermelha se dissolvia e tornava a se juntar a depender do movimento inimigo. Alguns espaços eram abertos algumas vezes entre as armaduras, mas logo fechavam como se fosse tragado por uma grande onda.



Penas voaram pelo céu, tantas que quando se aproximaram era complicado enxergar ao redor.



Ultrapassaram meu corpo sem me ferir, mas não ao dela.
Enquanto tentava atirar mais algumas flechas em defesa e se defender atrás da pedra, tive três visões.

quarta-feira, 9 de julho de 2008


...voando longe...sentada no mesmo lugar...




Colocou umas goiabas no bolso e se pôs a bater nas arvores, encontrando uma que provocou um som diferente. Apalpou até o momento em que algumas folhas começaram a cair deixando uma passagem entre os galhos, tirou do bolso uma corda e transpassou no galho se erguendo sustentada pelos braços até desaparecer na copa da árvore.


Como já estava ali não custaria nada continuar indo atrás.


Tentei subir usando a cordinha, mas por falta de bom físico continuei presa ao chão, dei pulos para ver se alcançava o galho e era como se a cada tentativa a árvore crescesse mais, mas não iria desistir.
Catei algumas laranjas e mentalizei para que virassem uma escada,não funcionou, bananas então surgiram na minha mente e por alguns instantes senti um cheiro de queimado e os cachos de banana apareceram no lugar das laranjas. Por um breve momento suspeitei ter queimado meus miolos, mas empilhei, me equilibrei rapidamente e alcancei o galho - segura sobe segura escorrega segura se joga - me joguei para dentro da copa e bati com a cabeça e o braço num chão de xorofunculas, pedras que estão sempre se locomovendo e variando de formas com cores variadas, mas não sabia se não estava enxergando bem ou aquelas eram realmente feitas de folhas secas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008





...A menina verde povoa meus sonhos e rouba meus pesadelos...





Continuei sem saber aonde iríamos, mas de onde estava (também não sabia onde estava) ainda acompanhava a menina que saiu em um pomar de laranjas.
Caminhava sob um sol escaldante e já estava pingando de suor quando paramos sob uma sombra, ou o que aconteceu na verdade, a sombra pairou sobre nós. Não era uma nuvem, depois que soube o que era desejei mais ainda que fosse uma ilusão de óptica, mas parecia que isso não existia ali, com uns pés de galinha, uma asa de águia uma cauda de pavão e uma cabeça que lembrava uma coruja, ainda não sei dizer se era um dragão, nunca tinha visto um antes para me tirar essa dúvida, mas o enorme bicho voador foi descendo aos poucos e pelo visto não era amigável ou então o homem que estava montando não seria muito simpático, pois a menina foi tão rápida que apenas vi um vulto seu entre as árvores ou talvez como iria constatar mais a frente, dentro da árvore. Por instinto tentei me esconder também mesmo sem saber se alguém estava me vendo ou não, até porque nesses momentos nunca pensamos nisso e eu ainda não sabia como havia deixado o salão de pensamentos e ido parar ali entre os pés de laranja do lado de um... um...bem...animal voador e seu dono.


Um dono magrela por sinal, vestindo um uniforme azul com um pequeno brasão que tinha como símbolo o animal que estava montado, mas com uma diferença de ser apenas a imagem dos ossos, um escudo que tomava toda a suas costas e uma pistola D686 com alcance de 1 km sem perder velocidade e precisão.


Colheu algumas maçãs, colocou em um grande cesto que ficava perto da cauda de pavão, montou novamente e partiu.
Colheu maçãs. E eu tinha certeza de que eram laranjas.
Enquanto levantava vôo o bicho deixou cair algumas penas e um pedaço da unha que já dava voltas de tão grande, a menina catou e guardou em um dos bolsos, tirou uma goiaba do laranjal e mordeu com ar de satisfeita.

quarta-feira, 2 de julho de 2008


...girando girando girando...girava sentada na bolinha não tão perfeita e observava o universo com seu pisca-pisca ligado...



Do túnel aberto na água saiu um vapor quente como se tivessem acabado de abrir o forno e acertou em cheio o rosto da menina que apertou os olhos e pulou se agarrando nos primeiros degraus. Uma escada tão vertical que mais parecia uma parede, ela colocou um pé e escorregou sem conseguir se segurar em mais nenhum outro e caiu tentando inutilmente se agarrar ao que agora parecia água. À medida que caia a região acima era preenchida de água e agora ela rezava para chegar ao espaço impermeável antes de ser engolida pelo Grande Lago.



Passou por uma coisa gelatinosa, como uma membrana transparente e se chocou contra o chão, um baque surdo ecoou naquele lugar.
Um lugar estranho por sinal, de ar denso e por muitas vezes de um transparente colorido soltando relampejos que iluminavam o local de pura areia seca.



Atolada na areia, pensei que aquele pontinho verde não se mexeria mais. Depois de algum tempo ela se sentou no chão e ficou observando ao seu redor, a cada lampejo de luz algo que ainda não havia observado se revelava. Portas.
Milhares de portas soltas na areia, em pé como se estivessem fincadas no chão, a menina levantou indecisa tentou abrir uma, mas nada acontecia, cavou pelo chão até achar uma pedra e jogou contra a porta que se abriu instantaneamente. Um jato de luz veio do ‘outro lado’ só consegui ver um vulto rápido do vestido atravessar. Não saiu do outro lado, na areia, apenas sumiu junto com o jato de luz, dei graças aos céus. Isso era o que eu esperava.