terça-feira, 4 de agosto de 2026

Ideias para o bloco de notas inglesado

Wellness center 

  • yoga classes, meditation classes, massage, nutrition counseling, chinese medicine, ayurveda, dance or music classes and other arts, psychoterapy, art therapy,  music therapy, alternative therapies 

Restaurant / bakery / food services

  • selling fresh meals and/or frozen food
  • regular cooking classes or workshops 
     

Community shop 

  • net zero products (selling food from local farmers and products from artisans) 
  • holistic products (candles, incense, books, mats etc)

Community garden or community farm 

  • permaculture classes 
  • medicinal plants (workshops)
  • gardening edible plants in small places (workshops)
  • selling the producs in farmers market or regular clients 


Arts and crafs 

  • sewing, embroidery, knitting, painting classes 


NGO specific to instrumentalize people in vulnerable situation to enter the workmarket 

  • language classes, mock interviews, clothes for interview, services for CV preparation, networking
  • intermediation with companies 
  • basic training for soft skills 

Online classes (previously recorded and available online)
  • Language classes (Sanskrit)
  • Kiirtan and Prabhat Samgiita with chords for guitar / piano 

Seasonal projects 

  • Summer camps 
  • Holistic festivals (food truck or food stand or other services)
  • Retreats 
  • Social dinners or lunch with jam, poetry and other artistic performance
  • Charity events (sponsored running marathon, hiking, walking, cycling)
  • Garage sale  
  • Second hand shop 
  • Group travels 
  • "airbnb" of rooms or camping area 
  • Renting space for external service providers 
  • Raffles, quiz or bingo nights





sábado, 1 de agosto de 2026

Menor que um grão de areia

 "Não, daqui da janela não se consegue ver o céu estrelado. Pois é, como eu te disse, acho que vedar o céu é parte de um plano para que a gente acredite que nós, nossos problemas, e nosso mundinho pareça ser o centro do universo."

Foi assim ou mais ou menos assim que eu estava refletindo e conversando no outro dia. E desde então tenho pensado sobre a nossa incapacidade de ver a imensidão do céu a noite quando moramos na cidade ou em areas muito urbanizadas. Quando criança, desde bem pequena por sinal, eu amava olhar o céu à noite e era sempre uma frustração não ver tantas estrelas e ter que lutar contra a luz do poste pra encontrar as constelações. Até hoje eu consigo contar nos dedos quantas vezes pude ver o céu estrelado em sua totalidade ou ao menos o mais próximo dela. 

Existe algo muito especial sobre o céu quando está bem escuro e a gente consegue ver aqueles milhares (ou milhões? ou bilhões e trilhões e zilhões?) de pontinhos brilhando, tantas estrelas que a gente se perde e se encanta ao ponto do pescoço doer do tanto que a gente inclina pra trás. A imensidão do universo é tão grande que se infinito ou finito não importa - nos vemos como pequenos grãozinhos, tão minúsculos! Me sinto um grão de poeira ou até menor. E aos poucos vou sentindo todo o meu ser se dissolvendo no universo, tamanha a minha pequenez. Meus problemas se dissolvem, a minha vida que parece tão longa vira uma fração de milésimo do microlésimo do milesegundo. O que são 35 anos em um universo onde o tempo nem existe? Ele simplesmente é. O meu ser se dissolve como uma colher de açúcar na água quando vejo o sem fim do céu. Nada ou quase nada mais importa. Somos devolvidos a condição de mortais e humanos. Às vezes um frio na barriga e até um medo em encarar um céu tão estrelado.

Mas o que acontece quando somos privados disso? De repente nos sentimos grandes, importantes, como se não houvesse fim para nossa caminhada. Nossos problemas parecem maiores do que realmente são - ganham uma outra dimensão num mundo onde tudo é pequeno. E de repente, nos sentimos o centro do mundo ou até do universo, somos arrastados pela rotina, pelos ruídos de carros e tilintar de copos, pelo cheiro do álcool, e pelas inúmeras propagandas e embalagens plásticas que nos fazem consumir mais do que precisamos e em alguns dias mais do que podemos. A ausência da imensidão assustadora do céu à noite faz com que fiquemos perdidos, como que sem GPS pra alma. E de tanto nos perdermos vamos esquecendo até o que é mesmo que estamos a procurar. 

O céu à noite desde muito tempo foi mapa para navegações, migrações, para os caminhantes que voltavam pra casa. Mas o infinito estrelado também é mapa pra alma, guia nossos corações e acalenta ao nos lembrar de onde viemos e onde estamos. 


Diretamente da nossa casa flutuante e voadora a girar coreografadamente, gozo do prazer de ser parte de algo tão mágico e inexplicável, mesmo sendo menor que um grão de areia do cosmo.