Aquele dia que você acorda correndo, come o café da manhã caminhando, toma banho pensando que já é hora de sair, pega suas várias sacolas e como um raio sai de casa. No carro você já se estressa pelo horário mais uma vez e pelos segundos que levam para o portão abrir. O trabalho vai mal, um funcionário adoece e você se sente insubstituível. Cobre todas as faltas, apara todos os erros, recebe nos ombros o fardo que nem precisava ser carregado. Um dia super estressante, apesar de alguns momentos bons. Você volta pra casa e come qualquer coisa em frente a televisão enquanto trabalha mais um pouco. Não há pausas até a hora em que você se deita e ao fechar os olhos já é hora de abrir novamente.
No dia seguinte você sente um cansaço, talvez devesse dormir um pouco mais, mas não! É hora de acordar e tudo se repete novamente. De novo, de novo, e de novo. E mais uma vez. E cada dia você bebe um pouco mais do seu próprio veneno, daquele estresse que a essa altura já virou crônico e te mantem em alerta e no modo acelerado 24 horas 7 dias na semana. O corpo começa a dar sinais de que algo vai mal. Às vezes é uma dor nos ombros, a postura desestruturada, a cabeça que aperta, os ouvidos que escutam um apito que não existe. Outras vezes é um vazio por dentro e a urgência de fazer algo que nem precisa ser feito.
Não há pausas. Só há uma frenética sequência de eventos que parecem sair de um vídeo na velocidade 3.0. E o estresse vira um companheiro que faz seu suco de cortisol e todo dia te oferece um pouquinho mais que é pra você ao mesmo tempo que vive se envenenar aos poucos.
O mundo não acaba se você pausar. A Terra continua girando, o Sol brilhando, o cachorro latindo.
Reduzir a velocidade e aceitar que você não é um robô nunca vai diminuir o seu valor. Que amanhã você possa existir com alguma paz no coração, sentar e simplesmente ver a vida acontecer. Não tem ninguém te esperando, os problemas não irão acabar hoje nem dia nenhum porque sempre há algo para resolver. Mas não tem pressa, na tranquilidade a vida também acontece, os problemas também se resolvem sem a gente precisar se maltratar.
Quão bem você se trata?
Quão bem você se ama?
Quando que você pausa para cuidar de você?
Pausar no meio do furacão exige coragem. Coragem pra deixar alguns pratos caírem e para sentir as consequências no nosso corpo físico, mental, emocional e até quem sabe espiritual. Coragem para reconhecer onde estão as feridas e tratar.
Seja corajoso/a! Coragem!
Pause. Paz.