Faltando quatro dias para o meu aniversário venho comunicar que posso ser abduzida a qualquer momento. Pela terceira noite seguida sonhei com as quatro estrelas no céu se movendo em minha direção.
A nave mãe virá me buscar, e olha que eu nem pedi para ligarem pra minha casa.
No inicio era o vazio, apenas o vazio. Não havia ninguém para eu conversar, nem mesmo nada para admirar, mas um dia tive um sonho. Sonhei com lugares verdes e dias molhados... acordei me sentindo estranho, tão só e tão frio.
Mas a escuridão era tamanha que nem minhas próprias mãos eu conseguia enxergar.
Ascenda a luz! – eu disse. Em um piscar de olhos a luz apareceu, mas assim como veio foi se esvaindo para só voltar no dia seguinte.
Durante a nova escuridão, à qual chamei de noite, pinguei pelo caminho pequenas luzes para não voltar a viver nas trevas.
Ficou tão bonito! Com receio estiquei as pernas e fui caminhar aqui ou ali naquela nova dimensão.
Não mais voltei. Me perdi no universo das cores, letras e canções.
Agora eu sou mais um louco errante em busca de emoções... São tantas emoções!(XD).
Quero ir
Quero um pouco
Espera
Quero ir
Pela primavera
Quero ir
Seu pensar já era
Quero ir
Quero quero quero
Quero quero quero
Quero ir
O sol daqui é pouco O ar é quase nada A rua não tem fim Eu volto prá Bahia Ou para Cachoeiro de Itapemirim Raul Seixas - Quero ir
Fazia tempo que a noite não se mostrava tão bela, e com a lamparina acesa folheava as tantas folhas com cheirinho de novas do grosso livro de capa marrom.
O vento nos céus fez sair uma nuvem que estava na frente da lua, senti uma mão pelas minhas costas, macia e leve, que deslizava por sobre o tecido do vestido de dormir, senti o livro escorregar pelos meus dedos e cair no meu próprio colo. Uma sensação de que ele estava virando água se misturou com a imagem que tive dos meus braços que se liquefaziam pingando sobre o livro que agora o vento passava as folhas, aos poucos o que sobrava de mim sabia que em breve eu não estaria mais ali. O livro que agora já estava no chão parou numa página e a última coisa que lembro foi dos meus olhos terem saltado das órbitas e serem absorvidos pelas folhas de papel embrenhadas por uma lama, que era absorvida aos poucos, e outrora não passava de mim mesma.
Aos poucos senti que estava sentada em um lugar diferente, com árvores de troncos largos e de tamanhos imensuráveis, plantas se entrelaçavam por todos os locais, talvez ali chovesse todos os dias, eram tantas e uma terra tão úmida que até para andar se tornava complicado.
De repente me abracei a uma árvore, não que eu quisesse trocar energias com ela, mas precisava ir a um local alto para ter noção de como sair dali. De alguma forma subi, a coluna não ajuda por causa da vida sedentária, mas depois de passar por alguns galhos e ver que a roupa não havia virado lama e ido junto pra onde quer que fosse me senti um pouco solta amarrando uma folha com dificuldade; o que a cultura não faz, e a mente não ajuda, uma folha nessa situação atrapalha até porque tem que ficar segurando, mas alguma coisa tem que consolar o lado psicológico.
Entre um largo espaço da copa vislumbrei uma lua mostarda e de brilho fosco, pequena, mas majestosa com seu aparente tamanho de bola de golfe.
Ventava forte e balançava o galho, desci mais lentamente do que subi, um frio estranho se apoderava de mim e vinha do coração.
Estava escuro demais para se ver alguma coisa, melhor assim.
Mr. Repetição está dentro de cada um de nós; tenho batido nele constantemente com o travesseiro, mas o ômi’ se recusa a ir embora.