De onde eu vim?
Por que eu não me enquadro no padrão normal das pessoas?
Por que eu tenho que ser assim tão...tão... louca?
Me pergunto sempre essas questões.
Por que eu tenho que amar demais?
Estava lendo um artigo sobre uma sequência de genes presentes em pessoas que relatam sentimentos exacerbados. Eu aposto que tenho isso. Mas não é exatamente sobre mim que quero falar hoje, quero falar da minha percepção das pessoas.
Tenho amado alguém que em um mísero fim de semana me deixou por outra pessoa. Alguém que é doente, Alguém que muda de humor como as nuvens mudam de posição. Alguém que sabe como pirraçar. Alguém que esconde de mim o seu destino. Que me faz ficar preocupada e com raiva de mim mesma. Alguém que é um dos meus melhores amigos. Alguém que é doce e amargo com fel.
Alguém que eu amo com todas as forças e odeio de vez em quando. Alguém que me decepciona.
Tanta gente no mundo e aonde é que eu fui parar?!
Aonde é que eu sempre vou parar...
Insisto em dizer que o problema deve ser comigo, não devo entender a realidade dos fatos ou simplesmente escolho a pessoa "errada".
De onde eu vim por alguma razão existiam as palavras confiança, afeto, compromisso, sinceridade.
Lembro de uma vez que eu estava trabalhando numa lojinha e eles tinham imãs de geladeira com algumas dessas palavras. Um dia uma garota entrou, pegou um dos imãs e perguntou pra mim Mas o que é afeto? O que é compaixão? Naquela hora eu sabia que havia algo de errado, tentei explicar com pouco sucesso. No fim só posso dizer que muita gente cresce sem saber o significado dessas palavras e sai errante tentando viver o que chamamos de vida.
Por que eu não deixei a minha pessoa amada para trás? Por que eu simplesmente não esqueço e corto contato?
Sinceramente, minha resposta é porque eu sou maluca mesmo, mas eu lá tenho minhas razões pra isso.
Mantenho uma relação de amizade que nutre o afeto e que cuida mutuamente para que ambas as partes fiquem bem. Vai que essa pessoa também não conhece o significado de tudo isso. Na pior das razões mora o fato de que eu aprendo muito sobre o ser humano lidando com essas espécimes raras.
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sábado, 9 de maio de 2015
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Diz que eu fui por aí...
Eu estava para passar por aqui, mas acabei me perdendo no
caminho.
21 de setembro, uma homenagem ao desconhecido.
Ela já havia passado mais de quatro horas sentada no banco do
ônibus e mesmo assim não havia conseguido um minuto livre para por em ordem os
pensamentos dos últimos dias, pelo visto a programação de refletir sobre a vida
ficaria para outra hora. Fazia um tempo que não se dedicava a pensar sobre
alguns fatos ou mesmo se auto analisar, os dias se transformaram em um relógio
contínuo de procedimentos e conversas. A necessidade de um período de solidão
urgia.
Enumerou os desejos de criança, os atuais, as realizações e
perspectivas e fez uma interseção. Quem diria que a vida iria caminhar desse
jeito. Se fosse um jogo de lego ela veria as peças se encaixando de forma
amontoada, abstrata. Desejou que no futuro pudesse olhar novamente e enxergar
algo menos parecido com uma incógnita.
Uma neblina densa surgiu
na estrada. E se o ônibus batesse e ela morresse naquele exato momento? Todos esses
instantes de vida escorrendo como farinha de tapioca entre os dedos,
presa pelo cinto de segurança e sem espaço para libertar o instinto de
sobrevivência.
Sabia que o instinto a guiava em diversas situações a menos se fosse assalto e principalmente se fosse no amor. Ah, o diabo do amor! Acreditar ou não nessa porção de endorfinas e
sinais adrenérgicos? Valeria a pena viver ensandecida entregue a emoções?
Deixava essas questões nas mãos do instinto e se entregava, mas na primeira
ameaça sua lógica, assim como o cinto de segurança, a segurava pela cintura.
Presa pela lógica...
Entre a neblina e o farol dos carros reviveu. Sentiu o carinho
esquecido subir à tona da memória, o sorriso e as lágrimas presas em alguma
sala escura sendo revelados por um lapso. Por que havia se esquecido dos bons
momentos? Por que os tinha escolhido? Por que viver entre fugir e ficar?
Dirigiu sua mente de forma defensiva e se preparou para
colocar o cinto da lógica novamente, se preparava buscando um motivo
para acreditar e nada mais. Desejando acreditar como os religiosos ou os ateus, cheios de convicção.
Vivendo a busca, sofrendo em vão. Porque nem sempre precisamos ser racionais.
Gosto das minhas dúvidas tanto quanto das certezas.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
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