Eu já não precisava fazer mais nada, então apenas fechei as janelas e esperei o ar se extinguir. Senti a garganta seca e os olhos lacrimejarem. A chuva caia forte lá fora e eu esperava... Vi as gotas da chuva baterem e lentamente escorrerem pelo vidro. Fiquei sem ar, inspirei com mais força, joguei o corpo para trás e esperei. Joguei uma perna em cima do banco e sem querer o rádio ligou. Abri a janela. Não esperei mais.
Vou falar de uma história que além de mim só uma pessoa conhece, e mesmo assim não sabe por inteiro, não se preocupe se não entender, nada passa de um fato consumado pela imaginação... ou não.
A rua onde fica a minha casa não é a dos bobos número zero, mas silencia de passos e vozes com freqüência. Saí durante a tarde e deixei a chuva fraca vir ao meu encontro quando ventou, não consigo explicar direito, mas a sensação foi de ter tapado os ouvidos e escutado o sussurrar daquela ventania. Um aperto no coração se apossou de mim. As árvores se sacudiram e eu fui remetida a um conto que imaginei há alguns anos e tentei escrever (não obtive sucesso nessa minha tentativa, mas era pra ser um livro) esperei pra ver o que acontecia andando mais devagar.
Me convenci apenas que estava louca, a continuação seria eu no chão morrendo lentamente.