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segunda-feira, 4 de maio de 2009

''Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará a ouvir o som dos meus passos.'



Vou falar de uma história que além de mim só uma pessoa conhece, e mesmo assim não sabe por inteiro, não se preocupe se não entender, nada passa de um fato consumado pela imaginação... ou não.


A rua onde fica a minha casa não é a dos bobos número zero, mas silencia de passos e vozes com freqüência. Saí durante a tarde e deixei a chuva fraca vir ao meu encontro quando ventou, não consigo explicar direito, mas a sensação foi de ter tapado os ouvidos e escutado o sussurrar daquela ventania. Um aperto no coração se apossou de mim. As árvores se sacudiram e eu fui remetida a um conto que imaginei há alguns anos e tentei escrever (não obtive sucesso nessa minha tentativa, mas era pra ser um livro) esperei pra ver o que acontecia andando mais devagar.


Me convenci apenas que estava louca, a continuação seria eu no chão morrendo lentamente.

Fui ao chão hoje.


Agora espero encontrar os outros personagens.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Senta que lá vêm história...


Alguma semelhança é mera coincidência.


Estava debruçada no beiral da janela.

Fazia tempo que a noite não se mostrava tão bela, e com a lamparina acesa folheava as tantas folhas com cheirinho de novas do grosso livro de capa marrom.

O vento nos céus fez sair uma nuvem que estava na frente da lua, senti uma mão pelas minhas costas, macia e leve, que deslizava por sobre o tecido do vestido de dormir, senti o livro escorregar pelos meus dedos e cair no meu próprio colo. Uma sensação de que ele estava virando água se misturou com a imagem que tive dos meus braços que se liquefaziam pingando sobre o livro que agora o vento passava as folhas, aos poucos o que sobrava de mim sabia que em breve eu não estaria mais ali. O livro que agora já estava no chão parou numa página e a última coisa que lembro foi dos meus olhos terem saltado das órbitas e serem absorvidos pelas folhas de papel embrenhadas por uma lama, que era absorvida aos poucos, e outrora não passava de mim mesma.

Aos poucos senti que estava sentada em um lugar diferente, com árvores de troncos largos e de tamanhos imensuráveis, plantas se entrelaçavam por todos os locais, talvez ali chovesse todos os dias, eram tantas e uma terra tão úmida que até para andar se tornava complicado.

De repente me abracei a uma árvore, não que eu quisesse trocar energias com ela, mas precisava ir a um local alto para ter noção de como sair dali. De alguma forma subi, a coluna não ajuda por causa da vida sedentária, mas depois de passar por alguns galhos e ver que a roupa não havia virado lama e ido junto pra onde quer que fosse me senti um pouco solta amarrando uma folha com dificuldade; o que a cultura não faz, e a mente não ajuda, uma folha nessa situação atrapalha até porque tem que ficar segurando, mas alguma coisa tem que consolar o lado psicológico.

Entre um largo espaço da copa vislumbrei uma lua mostarda e de brilho fosco, pequena, mas majestosa com seu aparente tamanho de bola de golfe.

Ventava forte e balançava o galho, desci mais lentamente do que subi, um frio estranho se apoderava de mim e vinha do coração.

Estava escuro demais para se ver alguma coisa, melhor assim.


Mr. Repetição está dentro de cada um de nós; tenho batido nele constantemente com o travesseiro, mas o ômi’ se recusa a ir embora.