quinta-feira, 23 de julho de 2026

Toalha molhada

 Tem dias que a gente acorda meio pra baixo, um nó na garganta e o corpo pesado, como se tivesse descarregado parte da bateria vital. Uma vontade de chorar para aliviar a alma, mas poucas ou quase nenhuma lágrima. 

Pensamentos em vão buscando os motivos da atual tristeza. E uma busca no google para ver se alguém já encontrou o sentido da vida. Várias suposições e teorias, mas eu ainda acho que no fim é tudo um grande jogo de dados do universo. E o que dá sentido a vida é a morte - o medo de não ter aproveitado o bastante, aquele receio de estar perdendo algo ou até mesmo a saudade do futuro, saudade do que ainda virá a ser. O que dá sentido a vida é achar que um dia encontraremos sentido, e correr atrás desse dia que só Deus sabe se vai chegar. 

Porém, a vida não precisa de sentido quando estamos rindo ou amando. E sim, precisa ser no gerúndio porque é no momento da gargalhada ou no êxtase do amor em movimento que não pensamos em mais nada e viver por si só é o suficiente. A busca não é pela felicidade eterna nem pelo amor sem fim, esses depois de um tempo entram na rotina e viram mais dos mesmos. A busca é pelo -indo, -ando, -endo, pela centelha de vida que nos lembra que estamos no presente vivendo. 

Hoje eu queria poder colocar as minhas emoções numa toalha, como se enxarcada com água, e espremer até não poder mais. Até que cada gota de tristeza ou melancolia evaporasse e no fim só sobrasse a toalha, meio amassada, mas quase que nova. Enquanto isso não é possível eu sigo buscando e escrevendo. 


Até a próxima!



terça-feira, 21 de julho de 2026

Você tá aí?

 São 13:35, e eu ainda não almocei nem tenho planos de almoçar. Tomei um chá verde e um café mal feito. Faz uma hora desde que comi um pão com frutas que tem sabor de panetone e um pedaço de pão com queijo por cima. O computador está aberto desde cedo e eu transito entre minhas obrigações e as distrações da minha mente. Às vezes parece que capinar um terreno é mais fácil que corrigir uma frase, e as horas lentamente passam enquanto eu tento a todo custo focar no que é necessário. 

Algo parece fora do lugar dentro de mim, um sentimento morno que indica que as coisas estão andando, mas a passos lentos. Passos que vão procurando a direção correta a medida que caminho. O ser humano vive e cria sua razão de viver a partir das suas metas - mas o que fazer quando você chega do outro lado? Quando alcança o objetivo e uma nuvem se apossa da sua mente. E agora? 

Dizem que nessa hora é criar uma nova meta e ir se reinventando até o fim. 

É ter um propósito, novas ideias e criações. 

Aos poucos vou colocando no papel as infinitas direções possíveis que posso tomar num futuro não tão distante. Traçando como que no escuro um mapa para guiar o amanhã. Investigo dentro de mim padrões repetidos e marcas do passado que me freiam pelo caminho. Me esforço para lembrar sonhos de quando sonhar era a marca do dia a dia. 

Quem eu sou? 

O que eu quero? 

Para onde vou? 

Qual a minha contribuição nesse mundo que é ao mesmo tempo cão e paraíso?

Como eu posso vir a ser a melhor versão de mim?

  

E o que é um sentimento morno? A melhor forma de descrever seria dizendo que é como uma comida que tem tudo pra ser gostosa, mas faltou sal. 


Ando pelas ruas observando o outros e buscando a mim. Entrego minhas perguntas ao universo, a essa calculadora do impossível, e tento aquietar meus pensamentos enquanto aguardo pela resposta. 

 Universo, o que mais é possível que eu ainda não considerei? 





terça-feira, 7 de julho de 2026

Amor é viver a loucura de ser e estar junto sem nem mesmo se saber porque.

 Por acaso abri um texto antigo aqui do blog e encontrei a frase que está no título: "Amor é viver a loucura de ser e estar junto sem nem mesmo se saber porque." 


Alguns instantes se passaram enquanto eu refletia sobre isso e me perguntava se tem algo mais louco que estar com alguém sem nem saber o motivo. Explicar o porque das coisas faz a nossa mente lógica e cheia de minhocas encontrar caminhos para justificar escolhas. Mas algumas situações na vida não fazem sentido, elas nos fazem sentir. 


O saborear da presença dentro do conforto do silêncio, o toque que faz os pensamentos aquietarem, o quentinho no coração em ouvir a risada gostosa se espalhando pela casa. O abraço que transborda tanto carinho que faz adormecer. Ações racionalmente sem porque de existir mas que trazem beleza aos olhos, prazer aos ouvidos, adoçam a boca, e colorem meu mundo com uma paz profunda.  

Amar é verbo. 
E verbo é ação. 

Amar em português soa como há mar. 
e onde há mar,
há oceano de mistérios sem fim.