Quando criança eu tinha várias certezas sobre a vida, planos para o futuro e sonhos para o dia seguinte. Era curiosa pelo mundo e tinha minhas juras secretas repetidas silenciosamente para que ficassem gravadas em mim e fossem lembradas na vida adulta. Não sei quando nem em que ordem elas surgiram, mas meus esforços não foram em vão porque até hoje lembro das juras.
Um, nunca normalizar passar por um pedinte na rua sem sentir compaixão. Lembro de ter visto um homem deitado no chão quase sem roupa e com os braços abertos, tal qual o Jesus cruficicado. Aparentemente ele dormia no passeio de uma rua movimentada e as pessoas passando nem olhavam para ele, a última coisa seria oferecer ajuda, como se o homem deitado no chão de braços abertos transpassando o passeio fosse invisível.
Dois, manter o coração puro como de uma criança. Não sei mais qual foi o gatilho para isso, mas com certeza sempre fui boa em observar o meu entorno e identificar o que faltava.
Três, as crianças entendem tudo. Tudo! Absolutamente tudo. Desde icognitas, frases de duplo sentido, tentativas sem sucesso de falar um assunto com códigos entre adultos. As crianças simplesmente entedem. Ah, e também não ter necessidade de falar com as crianças fazendo voz de bebê (nunca tive paciência pra isso). Claro que hoje eu sei que o entedimento da criança é diferente, e muitos acontecimentos eram intensificados, mas ainda assim, não subestime a criança.
Quatro, cuidar da natureza. Um misto de conexão com as notícias do greenpeace que na época passavam na tv e me faziam imaginar ser aquela pessoa no barco salvando as baleias.
Juras tantas vezes repetidas que hoje, quase 30 anos depois, ainda lembro e faço um esforço para cumprir. Até porque meus segredos mais secretos são o que fazem de mim a pessoa que sou hoje.
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