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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O luxo de ter o básico

Quando eu acordei minha mente estava limpa, sem aquele excesso de pensamentos e preocupações, o maxilar relaxado, e debaixo da coberta or ar quentinho me envolvia. 

Levantei ainda com o corpo cansado, mas a mente afiada. Depois de muito tempo, não consigo nem contabilizar quanto, consegui ler um texto concentrada - claro que pequenos desvios aqui e ali - mas alerta às palavras, compreendendo com o mínimo de esforço. Aos poucos fui percebendo uma mudança sutil ocorrendo, como se aos poucos o meu cérebro estivesse relaxando, tranquilo, sem se ocupar em pensar como será a próxima hora.

Onde você mora? Qual a qualidade de onde você mora? Quão confortável é esse lugar?

Não estou aqui a falar de mansões, mas seu lugar te proporciona conforto térmico e físico? Você se sente segura/o?

Quanto você gasta por mês com contas essenciais? Sobra um pouco para o lazer ou uma emergência? 

Você precisa escolher entre um pão de qualidade ou a passagem do transporte?

De novo, não é sobre estar no 1% mais rico, mas sobre dignidade. 

A água que você bebe é filtrada?


Me lembro de quando comprei um filtro de água, faz alguns meses, a sensação interna de dignidade foi tão intensa que eu nunca imaginei que sentiria isso com uma vasilha com um filtro de carvão dentro. Mas são esses detalhes do dia a dia que moldam nosso nível de estresse, o excesso de preocupações e a qualidade da nossa vida. 

Poder chegar em casa, acender as luzes para espantar a escuridão e sentir o aquecimento ligado sem ter que enfrentar a angústia da invasão do frio pela janela e paredes, que ultrapassa as camadas da cama e invade o corpo. Só em saber que tudo será provido e nada lhe faltará faz muita diferença. 

O luxo de ter o básico! 

Seria um luxo ter dignidade? Não deveria, mas infelizmente, na sociedade que vivemos parece que ainda é para muitos de nós. 

O luxo de morar em segurança,

ter o necessário para viver,

pagar as contas sem entrar no vermelho,

ter um hobbie,

poder escolher,

ter tempo,

sentir a mente relaxar tranquila

ao saber que está tudo bem. 

O pão em cima da pia lembrando a fartura onde a comida nunca falta.  


De repente eu entendi o quão maléfico pode ser para a mente não ter o básico ou estar sempre na corda bamba entre ter e não ter. O quanto de estresse nosso corpo acumula ao sempre se preparar para o pior. E como faz bem ter dignidade! O mínimo, o essencial, o necessário, o básico garantido, e o mundo fica até mais colorido.


Que tenhamos todos o luxo da dignidade! 











segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu sou o meu próprio farol


Sempre defendi o meu cabelo natural, talvez Freud explique dizendo que é uma forma de afronta à sociedade, uma rebeldia para escapar aos padrões impostos no seio do grupo familiar, não sei. O que sei é que já tive alguns problemas e poucas soluções nessa minha busca, minha última tentativa foi a melhor e ao meu ver a mais radical.



Cortar o cabelo é simples, você e uma tesoura podem fazer o serviço em poucos instantes, no meu caso não levou mais do que uma hora para tirar uns trinta centímetros de cabelo alisado e deixar apenas o natural que estava com seus poucos quatro centímetros de crespo. Já escrevi aqui sobre isso, falei algo do corte e da necessidade de me conhecer, saber como eu sou sem os disfarces da química e amar desse jeito o meu reflexo no espelho.

Após quase três meses estou eu aqui novamente desaguando nesse assunto.


Pois é, não é fácil. Não estou dizendo que não me sinto bonita ou que há algum arrependimento, pelo contrário. Não é fácil olhar nas revistas, na televisão, na música e dificilmente encontrar alguém com o cabelo natural e crespo. Não é fácil não se reconhecer e não ter uma identidade, só quando você passa por isso pode sentir o quão árduo pode ser. Olhares, cochichos, pensamentos que nos chegam através de pequenas atitudes. Pensamentos cheios de curiosidade e preconceito. Revejo o vídeo feito por Zina Saro e observo nela a quase loucura que se passa em mim, ela fotografa mulheres com cabelo crespo/cacheado nas ruas e lhe incomoda a imposição dos cabelos alisados, eu sinto a mesma necessidade, às vezes fico feliz só em encontrar na rua um(a) desconhecido(a) com o cabelo crespo como o meu.
Nessa procura por ser, me aceitar e ser aceita já me deparei com inúmeros filmes e documentários, blogs, grupos no facebook todos transbordando de relatos, mulheres afogadas nos parâmetros e prisões sociais, umas por que  gostam e são conscientes disso, mas outras tantas presas e se libertando aos poucos do fardo que é não ser natural, da insegurança que permeia o seu ego.
Dia de verão =)
Durante alguns dias quis ver minhas fotos de quando era criança, quis me reconhecer nelas e quem sabe tranquilizar essa minha falta de identidade. Achei alguns álbuns e salvo minhas fotos de bebê e uma ou duas outras, eu estava em todas com o cabelo alisado. Baguncei a estante não acreditando que seria possível eu não ter fotos com o cabelo natural, lembrei de uma foto que tirei durante um passeio em que estou com as madeixas cumpridas e soltas como uma juba, mas não a encontrei.
Olho no espelho, olho como se me perdesse no meu próprio rosto.

Acho que a primeira vez que ganhei uma boneca negra foi há poucos anos atrás, de pano com os cabelos de lã enrolados em pequenos gominhos. Talvez agora eu entenda melhor o motivo de uma criança, filha de uma conhecida da minha mãe, com seus seis anos, negra de cabelos crespos, afirmar ser branca e loira. Ela ainda não achou onde se reconhecer.

Enquanto isso vou sendo o meu próprio farol.


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Obs.: Sei que parte de tudo isso pode ser "nóia" minha, mas convenhamos, aonde há fumaça há fogo.
Algumas besteiras do dia a dia. Escrevi "crespo" no google e ele me mostrou inúmeras páginas de "liso", por causa disso fiquem felizes com uma foto minha alí em cima. rsrs
Uma outra curiosidade. Ontem pesquisando sobre mulheres com cabelo crespo descobri algo denominado Circassian Beauty, vocês podem ler mais nesse blog http://www.memoriavintage.com/2011/08/08/325/ .




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Minha cabeça, meu mundo.


Eu sou descobridora de mim.
Desbravadora de sentimentos, pesquisadora dos pensamentos mais absurdos, cantora quando é necessário liberar a emoção mais contida, escritora quando as ideias não cabem mais na mente, espectadora e atriz do cotidiano, vigilante do meu ser, arquiteta dos meus passos e astronauta no tempo livre.
Eu, como experimento, sou tentativa, acerto ou erro. Aquela que escolhe ser assim ao acaso, pelo destino.

Não. Não pelo acaso. Há sempre algo por trás do aleatório, aquilo que leva o escolhido estar no lugar e tempo certo.
Portanto, aleatório nada, apenas subentendido.



No meu laboratório eu sou experiência de mim.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Encontrei por aí....

"Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

E se ...


'E se...' É o título de um texto, ainda em estado de latência, sobre autismo (e possivelmente sobre outras doenças) que penso em construir, seria uma revisão de literatura talvez.
A ideia surgiu por causa de um trabalho na universidade, não tão estranhamente, acabei me interessando muito sobre esses assuntos.
Já li artigos, vi filmes, pesquisei em livros e cada vez mais o desejo de saber cresce.


O que será que realmente acontece com essas pessoas?
Por que é tão complicado encontrar informações?
Por que ainda não se conseguiu um método eficaz para oferecer auxilio aos familiares e à pessoa portadora?


E se... de repente você estiver frente a frente com alguém que é diferente' de você ?
Você vai tentar fazer com que ele se enquadre ao senso comum?
Vai tentar aprender a ser tão diferente quanto?

E aí?!



Vamos lá ver no que vai dar.







quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu vejo mil cores na escuridão.

Quando a falta de sentido reina eu me sinto em casa e de pijama.
Andei relendo umas coisas que escrevi há tempos e vi o quão louco são aqueles que me entendem (supostamente), pois, metade dos pensamentos eu vejo no papel e quando procuro pela outra metade observo que se foram nos corredores da mente.


E ela louca pela rua foi questionada o porquê de deixar tudo para trás, sua vida, sua casa, seu mundo. Disse apenas, Não deixei de viver, retrucaram, Pois então vá para casa, ela suspirou e pensou, O meu mundo é poesia para quem assim quiser o ver.


É tão difícil ser jovem. Se preocupar com a aparência e com as futilidades fingindo aprender a vida nos livros, quando na verdade espera pela experiência.
Andar pelas ruas à espera de um acontecimento que o transforme em um ser inigualável, acreditar em absurdos... na juventude há vontade de abraçar o mundo.
Escolher. Escolher o quê? Quem disse que é necessário escolher?

Na volta para casa passei por um garoto sentado na cadeira, olhar compenetrado, roupa de academia e um cabelinho que eu diria engomado. Não era a primeira vez que o via naquela ‘performance’.
Cumprimentei. Com voz de mil preocupações ele me respondeu, Boa tarde.
Fiquei com vontade de olhar nos seus olhos e perguntar se o que lhe afligia eram os quilos a mais do final de semana ou a possível namorada que não havia ligado ou quem sabe são as notas em ritmo descendente.
Enquanto descia as escadas imaginei... até o momento em que a situação se desfez num balde de juventude.
Pensei então que o problema estava em ser jovem e nas idiossincrasias que isso arrebata. Viver constantemente no pelourinho e apanhar com as experiências, as idéias, as motivações.

É difícil ser jovem e não ter nada ao mesmo tempo em que se é dono do mundo.


Talvez, suas preocupações fossem sérias, mas os meus olhos só captaram alguns detalhes...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

..Tenha paciência comigo...

Quando fico nervosa meu coração pára de bater e eu sinto um frio se alastrando pelo meu corpo a partir do peito.

Tenho a cabeça borbulhando de idéias. Qual delas irá nascer primeiro?

Minha cabeça dói e ferve como uma panela de pressão.

Não sou boa em esboços. Quero todas as idéias na rua de uma vez por todas.

Minha mente trabalha sozinha fazendo coisas que eu não consigo acompanhar. O que eu sou, meu deus?


Faz frio no meu coração.


Nada aqui faz sentido pleno, mas como chegar a plenitude sem o caos absoluto?

Estou me afogando aos poucos nesse imenso mar em que estou submersa.

Não quero que me salvem. Se essa for a única vez em que estarei assim, prefiro morrer antes do fim do mundo, pois nada mais fará sentido.

É difícil de entender aquilo que ainda não se conhece dentro de você.

Sabe, eu tive algumas idéias e elas foram a causa desse meu desespero e de toda a minha dor.
De um momento pra outro imaginei você me matando. Não tive coragem de perguntar se algum dia isso já passou pela sua cabeça (até porque falávamos de trivialidades do cotidiano).
Pensei em ligar isso com o sonho que tive, pode ser até fixação minha como tantas outras vezes, mas quero acreditar que isso seja algo mais.
Nada sai de sua cabeça se não houver motivos para o despertar.
Dependendo do dia e da hora em que lê isso, talvez não faça idéia sobre o que estou falando, nem eu mesma sei, mas isso irá se esclarecer em breve, apenas espero que não tenha um desfecho trágico e sem graça.

Está ventando hoje também.

O vento espalha as sementes e concentra as dimensões. As dimensões paralelas entre sonhos, vidas passadas e o que chamamos de real.
Eu ainda vou encontrá-lo, mesmo que seja dentro dos meus sonhos.
Não pode acabar sem ter ao menos começado, vou buscá-lo com minhas forças dentro de mim aonde quer que ele esteja.


...eu vou te contar o que há aqui...mas me faltam palavras...


Esses tempos reparei que fugindo de todos os padrões que estabeleci eu uso o blog como um diário de viagem.

Até onde eu irei?
Até onde você irá comigo? .

[dessa vez as pequenas frases que acompanham o início e o fim dos textos viraram o próprio.]