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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O tempo é curto

Meu povo, venho aqui perante Deus e o diabo gritar para vocês que meus tentáculos não abrangem mais nada, que estou ficando fraco e borrando as calças, minha memória fraca não me permite mais chamar cada um pelo nome, não lembro nem o meu, quiçá. Vim para ler meu testamento, sinto que morrerei em breve.


Deixo para Fred, o cachorro, a casinha, garantia de água e comida fresca todo dia. Para minha mãe um vale de flores para túmulo durante um ano, minha irmã ficará com as almofadas do sofá que tanto gosta. Digam ao primo que pode levar a churrasqueira, pra o compadre deixo minhas revistas e coleções de vinil. Para meus filhos aquele conjunto de panelas e talheres da cozinha. Pois bem, ficamos acertados com os meus pertences.

Alguém perguntou sobre o que faria com o dinheiro, ele respondeu, No dinheiro eu pus fogo pra não haver briga.


Depois disso foi enterrado vivo.

sábado, 24 de janeiro de 2009

'Sobre as coisas boas da vida...



Da janela vi as estrelas conversando. Uma, sozinha, cantava ao léu uma canção qualquer, não sabia que eu a ouvia.

Insignificante eu sou, mas quando a escuto me sinto parte do universo.



‘É fácil sentir falta,

ser feliz

falar

estar triste

brigar

chorar

cansar

apaixonar

criar

O difícil, meu deus, é viver quando se morre um pouco por dia. ’


E vai rodando, rodando, rodando.


Junto à morte vem sempre a alegria da eterna liberdade.


‘A cada dia que passa morre mais um pouco...

Quão bela é a tristeza da despedida e a esperança de um reencontro.