sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quase sem querer

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.


Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rocha

(...)
Nascida na terra, marcada por vento, chuva e sol, lapidada pelo tempo e bonita como a natureza.
(...)

Rocha era assim, menina faceira e manhosa, manha de carinho, jeitinho de doce de tamarindo com coco, corria quando criança pelas ruas parecendo um passarinho. Antigamente Rocha era nossa Isabel porque é prima de Maria, filha de Seu Zeca e de Dona Luciene.
Isabel cresceu em uma casa pequena. Tinha um quarto que se dividia com a sala por uma cortina de lençol, uma cozinha e do lado de fora havia a pia de cortar carne e lavar pratos, o banheiro e o quintal que era maior que a casa.
Isabel nunca reclamou, flor de menina que era cosia e limpava na casa do barão. Vez ou outra levava maçã e biscoito de goma pra casa... Um dia mesmo, lembro que teve guaraná na casa do barão, escondido ela encheu o vaso de manteiga e levou pra casa pra que os irmãos e a mãe soubessem o que era. Não deu outra! A mulher do barão que já não gostava dela - más línguas diziam que o barão jogava charme pra cima de Isabel - tirou as cartas da manga e mandou a menina embora.
Isabel já era moça, tinha o corpo formoso que só a juventude sabe moldar, a pele morena de sol e parecia que passava o dia inteiro tomada banho pois cheirava sempre a sabão. Tornara-se lavadeira.
Dia após dia Isabel sentava na pedra à beira do rio e esfregava as roupas, lavava pra se sustentar pois em casa muita gente andava morrendo de diarréia.
O tempo passou... Isabel sumiu pela roça.
De manhã cedinho, tinha acabado de raiar, quando fui levar o boi pra beber água vi lá Isabel deitada de bruços abraçada à rocha. O sangue escorria entre as pernas junto à criança presa ao cordão.
Corri pra socorrer. Sacudi a Isabel e nada, tirei a criança, e olha lá! Estava viva, mirradinha de magra, chorava baixinho, nem lágrima tinha mais...
Lembro que o céu estava azul com as nuvens douradas pelo amanhecer e eu em pânico ouvia o barulho das águas correndo entre as pedras levando aos poucos a vida como quem solta um passarinho.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A vida é assim...



Quando digo que não na verdade era um sim.


Quem entende?!



domingo, 13 de novembro de 2011

Atirem as pedras, por favor.



Respirar é o único requisito para o mundo conspirar contra você.




domingo, 6 de novembro de 2011

Roda mundo roda gigante...

"Con le stesse parole seduti a un caffè
E vorrei solo dirti ora che te ne vai
Se è amore, amore vedrai di un amore vivrai"


Nas voltas que o mundo dá só uma coisa eu não mudei...Uma paixão antiga...
Sentimento que aflora na música, na voz,
na Legião Urbana, sempre.






terça-feira, 1 de novembro de 2011

Prisão aberta


Às vezes lembro como é difícil ficar no silêncio e na escuridão. Você abre os olhos e um manto negro está estendido à sua frente, concentra-se para escutar e o máximo que seus ouvidos captam é a própria respiração. Um pânico misturado à tranqüilidade transpassa o corpo e simplesmente não consigo decidir entre voltar ao mundo ou continuar na caverna.


Não é de agora que percebo que um dos pertinentes problemas do ser humano é a comunicação. O excesso ou a falta muitas vezes é capaz de construir - ou não, imagens errôneas. As palavras desconexas, as idéias que se perdem sem serem verbalizadas, os pensamentos que se desviam do objetivo, ajudam a fazer o trânsito da comunicação ser algumas vezes pior que os engarrafamentos enfrentados no horário de pico. Cada um tem o seu ponto de vista, suas ânsias e deficiências, mas todos querem ser compreendidos.

A fala através do corpo inconscientemente surge numa tentativa de suprir com os gestos aquilo que não foi dito pelas palavras, e com isso há a diferença na expressão gestual entre indivíduos extremos na capacidade para verbalização.

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Eu penso.

Eu penso que penso.

Eu penso que posso pensar.

Eu penso que não sei pensar.

Eu penso que quando penso não penso.

Eu penso no peso do pensamento na vida.

E enquanto peso vivo.

Algum dia chegarei à conclusão de que o ser humano não pensa apenas é.


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Meu pensamento é liberdade em cárcere privado.



sábado, 29 de outubro de 2011

Precisamos praticar a humildade'

"Se tivéssemos de escolher entre conhecimento e virtude, a última seria sem dúvida a melhor escolha, pois é mais valiosa. O bom coração que é fruto da virtude é por si só um grande benefício para a humanidade. O mero conhecimento, não."
Sua Santidade, o Dalai-Lama.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pretinhosidade


Sim!
Você sabe de mim
Quando eu não tô afim
Quando eu só quero brincar
Não! Sim!
Mesmo que eu diga não
Você não me desdiz
Mas me chama atenção...

Vamos lavar
Toda a roupa suja
E mergulhar de cabeça
Nos armários da ilusão
Riscos vem à tona e eu pareço um otário
Como você que é uma pedra
Em meu caminho...

Minha pedra preciosa
Minha preciosidade
Minha preciosa idade
Minha presa
Minha fé silenciosa
Meu atalho, meu destino
Minha pretinhosidade
Minha festa!...

Sim!Você sabe de mim
Quando eu não tô afim
Quando eu só quero brincar, Mas! Sim!
Mesmo que eu diga não
Você não me desdiz
Mas me chama atenção...

Vamos lavar
Toda a roupa suja
E mergulhar de cabeça
Nos armários da ilusão
Riscos vem à tona
E eu pareço um otário
Como você que é uma pedra
Em meu caminho...

Minha pedra preciosa
Minha preciosidade
Minha preciosa idade
Minha presa
Minha fé silenciosa
Meu atalho, meu destino
Minha pretinhosidade
Minha festa!
Minha flecha!
Eh!Minha seta!
Minha flecha!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Quase um malabares

No princípio se fez o céu e a terra... Ok, não é bem isso. No início havia o big bang e era necessário a explosão de cores de um por do sol para eu lembrar de um ser humano.


No segundo dia apareceram as plantas e os animais... Eeeer, bem... E as pétalas vivas e reluzentes me lembravam o seu olhar...

De repente, mas não tão repentinamente, as pequenas coisas já lhe pertenciam.


Equilibra, equilibra!

Que hoje em dia qualquer gato vagabundo me faz lembrar você, e me deixa com vontade de por no colo esquecendo do mundo.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Boas vibrações

Foto: bdpommier


"Tudo o que você precisa é de boa música"

Pois, antes dela, nada produz tamanho deleite, nada se adéqua tão bem aos mais diversos momentos e estados de espírito, nada encanta mais e dá beleza a um dia permitindo que os sonhos prossigam, manhã afora, depois de já se ter acordado.

Raísa Coelho
(1.1)


terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Essa tempestade

"Essa tempestade da qual nós somos feitos, que circula dentro de nós, no nosso sangue constituído de índios, europeus e africanos. Essa impetuosidade cruel que a colonização deixou nos nossos pequenos gestos do cotidiano, como naquele chamar o homem ou a mulher que nos serve um café. Essa alegria contagiante que adoça nossas dores materiais. Essa coragem debochada nos ardores sensuais. Esse fazer do trabalho apenas um parêntese na importância da vida, porque sonhar é melhor. Esse povo que somos nós, esse povo brasileiro que faz essa tempestade no mundo."

Claudio Bernardo
Coreógrafo



''A antiguidade é coisa nova
Nós somos uma contemporaneidade dos milênios.''
Saint-Beuve



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Roda viva

(Talvez eu nunca entenda...)


Os dias passam tão lentamente e o ano tão rápido que apesar de vivermos pensando que o mundo continua o mesmo nesse mudar de ontem para hoje transitamos num meio de continua metamorfose, rumo ao dia de amanhã, esse desconhecido que se assemelha tanto com o presente.

Pelo poder da mão invisível, do sistema, dos radicais ou quem sabe por que o preço do pão aumentou hoje entramos em casa, nos trancafiamos nas quatro paredes do quarto, e apesar da casa só ter alguns poucos metros quadrados não chegamos nem a percorrer todos os cantos. Até mesmo a sala, point de encontro para ver a novela, foi trocada pelo monitor, CPU e amigos virtuais ou então por um outro aparelho de TV que fica isolado em um canto para com privacidade assistir ao jornal das sete.

Falar com o vizinho vem se tornando o inferno astral para qualquer um. Algumas vezes reconheço problemas para construir uma conversa sem me embolar nas palavras... Falta de prática?

O que será que será? Por que de repente se tornou tão difícil viver, sonhar e estar coletivamente? Serão as futilidades do mundo? As disputas? A mesquinharia? O individualismo? O rei do umbigo maior que o cérebro? Os valores? A tecnologia? Ah, todos sempre querem culpar a tecnologia, mas pode ser até mesmo uma reformulação na visão do que é importante para nossas vidas, o que não quer dizer ser um progresso.

Passamos por uma era que dará bastante trabalho para os alunos estudarem para a prova nos futuros anos. Uma era de transformação do ser social.


Sorrisos gastos sendo reutilizados, beijos apenas reproduzidos e abraços tão enferrujados que até bate uma estranheza quando aparece sinceridade nos braços que nos envolvem.


Espero encontrar antes da hora do chá a alegria de olhar nos olhos

e os confundir com flores em um imenso jardim.



(...Ou quem sabe eu já tenha entendido, mas faz tanto sentido que parece ser incompreensível.)

Cartas na mesa

domingo, 25 de setembro de 2011

É que eu gosto de ser baiano'

Quem é da Bahia e não gosta de samba nem nunca comeu caruru,
ah sinhô, ah sinhá!
Manda esse embora e nem deixa entrar,
ah sinhô, ah sinhá!
Quem é da Bahia nasce sabendo sambar.



sábado, 17 de setembro de 2011

Conjuga-me, pois sou teu verbo

O que seria do um se ele não pudesse também ser dois.



Na foto uma das ladeiras de Cachoeira/BA.






sábado, 10 de setembro de 2011

Fora da realidade

Quando você pensa sobre

Amor
Status
Compromisso
Dinheiro
Decisão
Interesse
Desejo

É melhor estar com os pés no chão
ou com a cabeça nas nuvens?




Nessas horas eu sempre descubro o endereço do meu universo paralelo.