Qual o sentimento de um papel pintado com vento e esquecido ao léu?!
Eu estava pensando em desenhar quando me deparei com uma beleza estranha... Era o sentimento puro da folha branca que me olhava enquanto eu olhava pra ela.
[...] O tema do blog mudou novamente, mas ainda não consegui me satisfazer. É difícil achar um modelo para loucos berrantes e excêntricos... Um dia vou aprender a usar isso de verdade –unf!.
Eu quero algo, mas nem sei o que é.'
Vamos trocando e mudando, porque de graça vale tudo.
Vou falar de uma história que além de mim só uma pessoa conhece, e mesmo assim não sabe por inteiro, não se preocupe se não entender, nada passa de um fato consumado pela imaginação... ou não.
A rua onde fica a minha casa não é a dos bobos número zero, mas silencia de passos e vozes com freqüência. Saí durante a tarde e deixei a chuva fraca vir ao meu encontro quando ventou, não consigo explicar direito, mas a sensação foi de ter tapado os ouvidos e escutado o sussurrar daquela ventania. Um aperto no coração se apossou de mim. As árvores se sacudiram e eu fui remetida a um conto que imaginei há alguns anos e tentei escrever (não obtive sucesso nessa minha tentativa, mas era pra ser um livro) esperei pra ver o que acontecia andando mais devagar.
Me convenci apenas que estava louca, a continuação seria eu no chão morrendo lentamente.
Sou o recipiente de minhas vontades e desejos, mas se às vezes guardo meus sentimentos em potes é porque não cabe tudo em mim, não há espaço pra tanto ardor.
Se um deles rachar ou transbordar eu divido com você...
*às vezes o que eu penso não passa de uma réplica mal feita de tudo que já vi e vivi.
Acredito que um dia iremos acordar, lentamente abriremos os olhos –como naquelas cenas de filme- e veremos toda a beleza da vida, a fragilidade do momento, a riqueza da simplicidade.
E tudo isso num tal de belo acordar.
Vamos sentir o ar entrando pelas narinas, sentiremos o passar do sangue pelas veias e ficaremos parados, estáticos pela grande surpresa. O cachorro do vizinho vai latir e o telefone irá tocar, mas soará tão poético que não iremos mais querer nos mover pra que esse instante não acabe nunca.
Uma mosca pousará em nós. Não será possível resistir e bateremos nela, ela vai sofrer e seu sofrimento nos trará a dura realidade.
Alguns não irão resistir e morrerão por não sentir o ar tão vivo como dantes, outros se empalharão tentando recuperar o momento e para tantos a sensibilidade e a mosca entrarão in memória e nada mais – serão como pedras até o último suspiro.
Acho que eu acordei’ hoje, lentamente abri os olhos e sorri. Ah, como é bom sorrir, meu deus.
Porque no inicio era o verbo e esse verbo correu pela mente, saiu pela boca, escorreu pelos braços e se materializou entre os dedos, o lápis e o papel.
‘Marte chamando Terra, Marte chamando Terra... Terra, por favor, responda!
Se você acessou o loucuracontagiosa e no momento em que a página abriu achou que errou o endereço, não se preocupe! Você ainda está no lugar certo.
Dias (2), horas (7) e coloque muita paciência (very much) também, foram gastos na reforma do blog. Dormi no computador e acordei com ele até que, finalmente, achei um tema em algum buraco da internet que me agradasse.
Agora entendo as pessoas que dizem como é difícil agradar uma mulher.
Ainda aprendi umas coisas novas e legais. ;D
Espero que gostem da alteração, sinceramente, descobri que tenho problemas sérios com revoluções.
A propósito, a imagem do blog também foi cedida por Vanny Araújo.
Já era o terceiro dia que aquele homem aparecia. Trajado displicentemente ele passou esbarrando em mim, percebi que o segurança também estava achando estranho, mesmo por que é raro alguém ir ao museu e mais raro ainda por dias seguidos. Ele parava encostado à parede olhando fixamente para um dos quadros de autoria desconhecida, havia sido encontrado durante uma limpeza nas casas antigas e abandonadas da cidade. Entre meu abrir e fechar reparei seu modo incessante de mover os pés, o suor estampado em sua camisa e sua respiração acelerada. Ele passava ali toda à tarde, vez ou outra anotava algo no caderno e no fim do dia saia se esbarrando em mim novamente, ninguém respeita uma porta. No quarto dia ele chegou mais cedo, me empurrou mais delicadamente (se é que existe empurrar delicado), com cabelo alinhado, calça jeans, camisa de manga longa, sapato social e um saco de mercado nas mãos. O segurança pediu para que deixasse a identidade no balcão, ele mexeu os pés, entregou e seguiu quase correndo para sua parede, chegando lá suspeitei que tivesse piscado o olho para a mulher do quadro. Não duvidaria se me contassem que era um louco. Puxou uma flor pequena do saco e ficou segurando enquanto sussurrava coisas ao pé da pintura de cores claras e expressão vibrante. Foi embora mais cedo deixando um sorriso fugaz para mim. Durante a madrugada soube que as paredes ouviram sons de sapatilhas e de papel sendo rasgado, da minha posição não via muita coisa, mas a moldura se locomovia e ia em direção à janela. Era uma fuga de amor. No dia seguinte a correria foi grande, ela não estava mais ali, muito menos ele.
A janela pediu para que eu parasse de ranger. Ah, meu bem, as portas fofocam! Não pense que somos reles paredes que só tem ouvidos.