terça-feira, 3 de novembro de 2026

Shiiiii!

 Silêncio, silêncio, por favor! Acalmem-se todos! Por favor, voltem aos seus lugares, sentem-se! Silêncio! 

Se continuar desse jeito ninguém vai conseguir ouvir nada aqui, não tem como continuar desse jeito. Se acalmem. 

O barulho intenso não deixava os pedidos de silêncio serem ouvidos. Era um zum zum zum tão alto, todos agitados, andando de um lado para o outro e falando sem parar. A tentativa de ordem não teve sucesso e parecia até ter piorado a situação. Ninguém sentava, era como se estivessem todos no apice de adrenalina a base de cafeína. As horas passavam, acendi um vela pra o santo ajudar, mas apenas poucos segundos de silêncio foram conquistados. Sentar estava mais difícil ainda. O frio entrando pela janela e por alguma razão nem o aquecedor nem o casaco estavam dando conta de esquentar, deixando tudo ainda mais agitado por dentro. 

Shiiiiiiiiii a plenos pulmões. Abri o notebook, e só quando comecei a escrever eles começaram a encontrar os seus lugares, sentaram e lentamente foram fazendo silêncio - como que intimidados pelo papel virtual. Os pensamentos barulhentos e mal criados se sentiram ameaçados, sabiam que seriam expulsos se não parassem com aquela baderna. 

Um ou outro ainda ousou pular e correr de um lado a outro, mas se esconderam nos cantos quando viram que iriam parar no papel. Presos no papel para sempre. Estampados como foto de bandidos baderneiros procurados, mas nesse caso encontrados e expulsos. 

Em questão de minutos houve ordem. Pouco progresso, mas pelo menos um mínimo de silêncio. 





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