segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Sozinho, só ele, solitário

 A página aberta esperando as palavras serem transferidas para o papel. O cursor piscando, mas nada foi escrito. 


Tem sido dias vivendo o misto de noites sem sono, lágrimas densas como uma chuva torrencial que duram algumas horas para passar antes de alagar o travesseiro, pensamentos acelarados - entre reflexões de acontecimentos reais e outros que só aconteceram na minha cabeça, e muito barulho. Um barulho ensurdecedor na minha mente, todas as vozes querendo falar ao mesmo tempo, apontando qual decisão precisa ser tomada e espremendo o meu coração.   

Ao mesmo tempo a vida acontecendo. Não dá tempo de esperar os pensamentos e as emoções se organizarem, na sala já tem alguém para tirar dúvidas e do lado de fora as cobranças batendo na porta. E no meio tempo, debaixo da chuva torrencial, meus sapatos molhados, minha calça molhada, meus cabelos pingando sob o capacete enquanto pedalo. Dentro da capa de chuva que só protege o tronco, vou suando pelo esforço. 

Em casa conto no calendário mais um dia para o coração acalmar, a mente estar em paz, e eu novamente me ver feliz enquanto só.


Só, somente só. 




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