Meu passatempo predileto é olhar a janela. Deitada passo horas admirando o céu, mesmo quando está coberto de nuvens me distraio observando o vento balançar bem de leve os galhos das árvores. Vez ou outra um passarinho, nos dias de sorte um esquilo ou uma raposa.
O quarto fechado, a janela trancada, e minha mente longe vendo quem passa ou deixou de passar. Bem em frente consigo ver uma árvore seca, só os galhos finos e as flores espalhadas, daqui parecem branquinhas como neve que aos poucos vai caindo lentamente, voando até o chão cheio de pétalas brancas.
Tento me lembrar da época em que eu não usava celular e não tinha acesso a internet. De alguma forma eu me distraia, mas sem a urgência de ver se alguém ia me mandar mensagem. Pelo contrário, se o telefone tocava muitas vezes eu deixava lá até desistirem e desligarem. Hoje em dia no primeiro tremilicar do aparelho eu já quero ver quem é. Para quê que eu quero ver quem é?
Aos poucos minha concentração que já não era muita vai esvaindo. Escrevo uma linha e paro no meio - opa! uma notificação. Me perco entre mensagens e quando volto por pouco já não me lembro mais sobre o que é que eu estava a escrever. Tenho me esforçado para lembrar como era minha vida antes de tudo ser urgente, antes do celular, quando eu ainda não tinha Orkut.
3 segundos e já não sei mais.
Livros inteiros lidos em um único dia, listas e mais listas de exercícios eram a rotina do final de semana, brincar de não sei mais o quê preenchiam as horas. A TV me prendia, mas a programação tinha horário de início e fim. A programação das redes sociais é infinita. Sem pena destroem nossa capacidade mental.
3 segundos e já não me concentro mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário